Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Escritores se rebelam contra editora francesa sob magnata ultraconservador

115 escritores recusam publicar com a Grasset em protesto contra a demissão de Olivier Nora e alegam interferência de Vincent Bolloré, ampliando a crise editorial

Editora Grasset conta com alguns dos maiores nomes da literatura francesa.
0:00
Carregando...
0:00
  • 115 escritores da Grasset assinam carta aberta protestando a demissão do CEO Olivier Nora e alegando interferência de Vincent Bolloré, dono da Hachette.
  • Eles afirmam que não vão publicar novos livros com a Grasset, mesmo mantendo obras já lançadas pela editora.
  • A carta cita a atuação de Bolloré na gestão de outros veículos do grupo Hachette e destaca o medo de que selos se tornem de extremo direita.
  • A Grasset tem sede no Quartier Latin, em Paris, e os signatários cobram independência editorial diante o que chamam de “guerra ideológica”.
  • O anúncio ocorre na véspera do Festival do Livro de Paris, que começa hoje no Grand Palais e espera receber cerca de cem mil visitantes.

A crise no mercado editorial francês ganhou contornos inéditos: 115 escritores da Grasset se recusaram a publicar novos títulos da editora, como protesto pela demissão do CEO Olivier Nora. A decisão é ligada à percepção de interferência do magnata Vincent Bolloré, dono do grupo Hachette, ao qual a Grasset está vinculada.

Entre os signatários constam nomes como Virginie Despentes, Sorj Chalandon, Bernard-Henri Lévy e Frédéric Beigbeder. Em carta aberta, publicado na noite de quarta-feira, os autores acusam a Grasset de perder independência editorial após a saída de Nora, que comandava a casa há 26 anos.

Colombe Schneck, romancista, afirmou à AFP que houve tensões políticas dentro da casa, com atuação de figuras de esquerda e de direita. Segundo ela, a demissão de Nora foi a faísca para o movimento, que visa impedir que selos do grupo Hachette ingressem em discursos autoritários.

A Grasset conta com 38 funcionários na sede do Quartier Latin, em Paris. Um trabalhador afirmou que a situação é chocante e descrita como uma bomba para a editora. A tensão coincide com a preparação para o Festival do Livro de Paris, que começa hoje no Grand Palais.

Contexto institucional

Vincent Bolloré passou a controlar a Hachette em 2023. O empresário é uma figura central da mídia francesa e dirige a TV CNews, entre outros meios. Críticos o comparam a uma força que pode reorganizar fielmente o panorama editorial.

Jean-Christophe Thiery, CEO do Groupe Louis Hachette, foi indicado para presidir a Grasset, conforme comunicado na terça-feira. A mudança ocorre sem explicação oficial sobre os motivos da saída de Nora, a quem a carta presta homenagem pela independência mantida.

A carta dos autores reitera que não deseja remar contra a corrente democrática na cultura francesa. O grupo também aponta que o movimento não se limita à Grasset, mas representa resistência a uma suposta guerra ideológica impulsionada por interesses econômico-midiáticos.

Autoras e autores consideram abrir ações judiciais para retomar direitos de obras já publicadas pela Grasset. A eclosão do movimento ocorre em meio a críticas a políticas editoriais associadas ao conglomerado de Bolloré, presente de forma ampla no setor.

Com AFP

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais