- Governo sinaliza abertura para discutir uma transição na extinção da escala 6×1, com José Guimarães dizendo que é possível debatê-la durante a tramitação no Congresso.
- A posição difere do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que defende aplicação imediata da nova jornada assim que aprovada, mantendo autonomia do Legislativo para alterar o texto.
- Marinho criticou a demora da Câmara em avançar com o tema e informou que o presidente encaminhou a proposta em regime de urgência.
- Sobre financiamento, Marinho rejeita a desoneração da folha de pagamento como forma de compensação, argumentando que renúncias fiscais em grande escala prejudicam as contas públicas.
- A mudança na jornada é vista como uma das principais apostas do governo para a popularidade do presidente Lula em ano eleitoral.
O governo federal sinalizou na quinta-feira (16/4) a abertura para discutir uma transição gradual na extinção da escala de trabalho 6×1, modelo que prevê seis dias de atividade seguidos por um dia de descanso. A declaração foi feita pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, em café com jornalistas, poucos dias após o envio do projeto ao Congresso.
Guimarães disse que, embora a proposta original não preveja fase gradual, o Executivo está disposto a discutir alternativas durante a tramitação. “Se tem um debate, nós temos que estar abertos para discutir a transição. Eu acho que é possível discutir, mas isso quem vai dizer é o Congresso”, afirmou.
A posição contrasta com a do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que defendeu aplicação imediata da nova jornada assim que o texto for aprovado. Marinho ressaltou a autonomia do Legislativo para alterar o conteúdo, mas cobrou maior celeridade da Câmara dos Deputados.
Divergências internas no governo
Marinho criticou a demora na condução do tema no Legislativo, dizendo que a Câmara poderia ter avançado mais rapidamente. O ministro mencionou, ainda, a decisão de encaminhar a proposta em regime de urgência.
Outro ponto em debate envolve o financiamento da redução da jornada sem corte de salários. Marinho rejeita a ideia de desoneração da folha de pagamento como meio de compensação, afirmando que renúncias fiscais em grande escala prejudicariam o equilíbrio das contas públicas.
A proposta de mudança na jornada é vista como uma das apostas do Planalto para sustentar a popularidade do presidente Lula em ano eleitoral, quando disputa um novo mandato. A expectativa é que o tema ganhe contornos de prioridade no governo, independentemente do ritmo de tramitação.
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