- Organizações judaicas brasileiras alegam que tiveram o direito à fala bloqueado durante o seminário “Enfrentamento ao antissemitismo” organizado pelo Itamaraty, em Brasília, nesta semana.
- Elas dizem que pediram pelo menos dez minutos para se manifestar, mas a coordenação do evento não autorizou, segundo a carta enviada à Folha.
- O grupo Debora Abramant afirma que apenas judeus sionistas foram convidados a debater, enquanto setores não sionistas ficaram de fora.
- A carta sustenta que o seminário privilegia organizações sionistas e exclui vozes judaicas solidárias à Palestina, associando crítica a Israel a antissemitismo.
- Clara Ant, assessora especial de Lula, não comentou o assunto.
Dois grupos judaicos brasileiros afirmam ter o direito de fala cerceado no seminário Enfrentamento ao Antissemitismo, organizado pelo Itamaraty em Brasília. O evento, promovido pelo governo federal, ocorreu nesta semana e teve a participação de diversas entidades, mas, segundo as organizações, a coordenação bloqueou a participação de vozes dissidentes. A assessora da Presidência, Clara Ant, não se manifestou sobre o tema.
As entidades relatam que, apesar de integrarem o Grupo de Trabalho sobre Antissemitismo, não tiveram espaço para expor propostas. Em carta enviada à Folha, destacam que o seminário privilegia vozes alinhadas a uma visão sionista, sem incluir judias que apoiam a causa palestina. Alega-se que o Itamaraty concordou com dez minutos de fala, mas a possibilidade foi vetada pela coordenação, segundo declarações coletivas.
A carta é assinada pelos coletivos Árabes e Judeus pela Paz, Articulação Judaica de Esquerda e Vozes Judaicas por Libertação. Elas apontam que a estrutura do seminário limita a pluralidade e associa críticas ao Estado de Israel a antissemitismo. O grupo ressalta ainda a necessidade de uma estratégia nacional de enfrentamento ao antissemitismo, com participação ampla de ministérios, sem permitir exceções ideológicas.
Na íntegra, os coletivos defendem a defesa da liberdade de expressão e a inclusão de vozes diversas no debate público. Eles destacam que o Brasil já possui legislação contra racismo, como a Lei 7.716/1989, mas que é preciso enfrentar o tema de forma isonômica, sem privilegiar um único eixo ideológico. A posição também ressalta a importância de distinguir críticas políticas a governos de qualquer país de atitudes discriminatórias contra judeus.
Clara Ant, assessora da Presidência, não comentou o conteúdo da carta nem as alegações de cerceamento. O Itamaraty não confirmou nem desmentiu oficialmente as informações sobre o formato e a participação dos grupos no seminário. A assessoria do governo informou que o evento continha mesas de debate, mas não detalhou critérios de convidação ou tempo de fala.
Entre na conversa da comunidade