- Kennedy participou de uma audiência de orçamento no Congresso americano, tentando manter o foco em doenças crônicas enquanto senadores questionavam sua posição sobre vacinas.
- Parlamentares do Comitê de Ways & Means acusaram Kennedy de falhas na resposta à pior epidemia de sarampo em décadas e de minar a segurança da imunização infantil.
- O pedido do governo é cortar o orçamento do órgão em cerca de 16 bilhões de dólares no próximo ano fiscal, uma redução de aproximadamente 12,5% em relação ao ano anterior.
- Kennedy tem promovido mudanças nas políticas de vacinas, como reduzir o número de vacinas recomendadas para crianças, mas uma decisão judicial em março derrubou grande parte dessas alterações; o governo planeja recorrer.
- Houve cobranças de democratas sobre o surto de sarampo e mortes associadas, com Kennedy, em alguns momentos, reconhecendo que a vacina MMR pode salvar vidas, enquanto buscava defender sua agenda de saúde.
Durante a primeira audiência de Robert F. Kennedy Jr. no Congresso em meses, parlamentares pressionaram o texto sobre o manejo do maior surto de sarampo em décadas. Kennedy compareceu a uma audiência de orçamento para apresentar a proposta do governo para reduzir o orçamento de sua agência, em cerca de 16 bilhões de dólares no próximo ano fiscal. A ocasião ocorreu na Câmara dos EUA, com foco inicial em doenças crônicas, porém as perguntas sobre vacinas dominaram o debate.
Democratas do Comitê de Ways and Means cobraram uma resposta inadequada ao surto de sarampo e disseram que as mudanças propostas minam a segurança das imunizações infantis. Kennedy, por sua vez, preferiu não tratar de seu agenda de vacinas e procurou enfatizar o fim de políticas federais que, segundo ele, alimentam a epidemia de doenças crônicas no país. O discurso buscou deslocar o tema para o enfrentamento de problemas estruturais de saúde.
Debate sobre políticas de saúde e orçamento
Durante três horas de depoimento, Kennedy, conhecido cético em relação a vacinas, ouviu críticas sobre reduções no quadro de funcionários do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), além de cortes em pesquisa sobre câncer e alterações nas recomendações de vacinação. O debate abordou também o efeito das mudanças administrativas na orientação de imunizações.
Entre os argumentos, o representante Mike Thompson ressaltou o risco potencial de teorias da conspiração associadas às vacinas, exibindo um gráfico com quase 4 mil casos de sarampo registrados entre 2025 e 2026. Kennedy, por sua vez, mencionou mudanças em políticas de vacinação que, segundo ele, buscariam modernizar o sistema de saúde.
O histórico de Kennedy na área de vacinação também foi analisado. Em relação a mudanças propostas, um juiz havia bloqueado parte das alterações em março, alegando nomeação inadequada de membros do painel consultivo. O HHS informou que pretende recorrer, e Kennedy passou a enfatizar questões além das vacinas.
Conflitos e impactos da política
A congressista Linda Sánchez questionou como cortes em programas de auxílio a mães e crianças poderiam melhorar a saúde pública, citando itens como o programa de assistência alimentar. Kennedy argumentou que os cortes são necessários diante de um déficit fiscal elevado, estimado em torno de 39 trilhões de dólares. A situação gerou críticas de democratas, que destacaram o impacto direto sobre pacientes.
Entre reações republicanas, apoiadores elogiaram a agenda de Kennedy, enquanto críticos apontaram lacunas em áreas como pesquisa sobre autismo. Um congressista, Blake Moore, ressaltou preocupações pessoais sobre o tema, citando a experiência com um filho neurodiverso e relatando estar insatisfeito com resultados de pesquisas governamentais.
Em meio ao embate, Kennedy manteve o foco em reduzir a intervenção federal na saúde pública, ao mesmo tempo em que defendia a racionalização de políticas e gastos. A audiência ocorreu em meio a um cenário de tensionamento entre posições pró- e anti-vacinas, com decisões judiciais sobre a composição de comissões avaliadoras de vacinas ainda pendentes de recursos.
Entre na conversa da comunidade