- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista ao El País publicada em 16 de outubro, que Donald Trump não tem o direito de acordar e ameaçar um país, e que é essencial respeitar a soberania.
- Lula disse que o líder norte-americano não foi eleito para isso e que quem está no poder precisa zelar pela paz, criticando o uso do poder militar para ditar regras.
- O presidente criticou os gastos trilionários com guerras e alertou que o mundo vive o maior número de conflitos desde a Segunda Guerra, podendo haver uma guerra global devastadora.
- Ele pediu a reformulação do Conselho de Segurança da ONU, afirmando que os cinco membros permanentes falham ao agir como pacificadores e que o veto deve ser abolido.
- Sobre a possibilidade de intervenção dos EUA no Brasil, Lula disse estar tranquilo com a democracia brasileira e rejeitou qualquer risco de interferência nas eleições de outubro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, não tem o direito de acordar e ameaçar um país. A declaração foi feita em entrevista ao jornal El País, publicada nesta quinta-feira, 16 de novembro.
Lula disse que líderes devem respeitar a soberania de outras nações e criticou o uso do poder militar para impor regras. Ele afirmou que o mundo está diante de conflitos em nível global e que a tríade de países com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU precisa ser reformulada.
O presidente também criticou os gastos trilionários com guerras e alertou sobre os riscos de um novo confronto mundial, dizendo que seria dez vezes mais devastador. Segundo ele, manter as potências com a possibilidade de usar a força é o que alimenta conflitos.
Reforma das Nações Unidas
Lula argumentou que o Conselho de Segurança, hoje formado por EUA, China, Rússia, Reino Unido e França, não atua como um órgão pacificador. Ele citou invasões ao Iraque, à Líbia e a conflitos na Ucrânia e em Gaza como exemplos de falhas do grupo.
O presidente brasileiro afirmou que o poder de veto deveria ser abolido e que a geopolítica de 1945 não reflete a realidade de 2026. Segundo ele, as instituições internacionais não cumprem seu papel de evitar guerras. O objetivo é tornar a governança global mais representativa.
Relação com a Venezuela e eleições
Sobre a Venezuela, Lula disse não ver espaço para uma intervenção militar dos EUA no país. Ele afirmou que a democracia brasileira funciona como exemplo para Washington e rejeitou qualquer interferência na eleição brasileira de outubro.
O presidente criticou a atuação de potências com histórico de intervenção na região, destacando que episódios envolvendo a Venezuela vão além de eleições e envolvem uma relação de longa data entre Washington e Caracas. As declarações foram registradas pela reportagem do El País.
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