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Ex-chefe da PM de SP é citado em investigação sobre policiais em empresa ligada ao PCC

Ex-comandante da PM paulista é citado em investigação sobre PMs que escoltavam empresa de ônibus ligada ao PCC; saída para reserva pode guardar relação com o caso

o comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, o coronel José Augusto Coutinho, em reunião com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). — Foto: Marcelo S. Camargo/GESP
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  • O ex-chefe da Polícia Militar de São Paulo, coronel José Augusto Coutinho, foi citado em depoimento na Corregedoria ligada a apuração sobre PMs que blindariam policiais envolvidos com o PCC em segurança de uma empresa de ônibus.
  • Coutinho deixou o comando da PM na quinta-feira, 16, e a saída pode estar relacionada a investigações em que é citado, além de suspeitas de proteção a policiais ligados ao crime organizado.
  • O sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário, preso em fevereiro, afirmou que Coutinho tentou convencer o policial a permanecer na tropa de elite e que houve favorecimento para ficar no “bico” da empresa.
  • A Transwolff, investigada na Operação Fim da Linha pelo Gaeco, é alvo de acusações de lavagem de dinheiro, fraude em licitações e organização criminosa, com alegações de uso de “laranjas” e CNPJs fantasmas.
  • A troca de comando na PM, com a coronel Glauce Anselmo Cavalli assumindo o posto, é vista como marco de uma nova geração de oficiais, em meio a mudanças na administração estadual.

O ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel José Augusto Coutinho, foi citado em depoimento registrado em um inquérito da Corregedoria que apura a atuação de policiais na escolta ilegal de dirigentes de uma empresa de ônibus ligada ao PCC. A empresa Transwolff é alvo de apurações no âmbito da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Gaeco em 2024 para investigar lavagem de dinheiro, fraude em licitações e organização criminosa associada ao crime organizado.

Coutinho deixou o cargo na última quinta-feira, 16, e sua saída pode guardar relação com a investigação em que é citado, bem como com outras apurações de possível proteção a policiais envolvidos com o crime organizado. A defesa do coronel disse que não teve acesso aos autos e destacou que a simples citação não implica culpa, em contextualização comum em apurações preliminares.

O depoimento revelado pela imprensa envolve o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário, preso em fevereiro, que afirma ter recebido orientação de Coutinho para permanecer na Rota, unidade de elite da PM, mesmo diante de disputas relacionadas a atividades de segurança privada para a Transwolff. O relato também descreve transferência de Coutinho para o 19º BPM/M, próximo de onde o sargento reside, conforme a narrativa apresentada.

Mudança de comando na PM e desdobramentos institucionais

A passagem de Coutinho marca a transição para a primeira mulher no comando da PM paulista, a coronel Glauce Anselmo Cavalli, com o coronel Mário Kitsuwa assumindo como subcomandante. A operação de troca de comando ocorre em meio a mudanças na Corregedoria da PM e no Setor de Inteligência, segundo informações associadas à gestão do secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, que deixou o cargo no fim do ano passado.

A Transwolff, alvo das investigações, teria utilizado laranjas e CNPJs fantasmas para ocultar a origem de recursos vinculados ao crime organizado. Em 2022, a Prefeitura de São Paulo abriu processo de rescisão de contratos com a empresa, que sempre negou vínculos com o crime.

Detalhes sobre o caso e perspectivas

Três policiais foram detidos em fevereiro, incluindo o sargento citado, em desdobramentos da investigação. O inquérito aponta que o grupo prestava serviços de segurança para o dono da Transwolff, Pandora e Té, com suspeitas de facilitar a atuação do PCC. A defesa de Coutinho afirma que ele nunca foi formalmente acusado de irregularidades ao longo de 34 anos de carreira.

A PM informou que não comenta investigações em curso por questões de sigilo processual, enfatizando o compromisso com a legalidade e a apuração de desvios. O jornalismo de apuração continua acompanhando os desdobramentos para esclarecer eventual participação de autoridades na gestão de segurança privada ligada a organizações criminosas.

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