- No Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores do Campo, a auditora Alessandra Bambirra afirma que a desvantagem dos trabalhadores rurais em relação aos urbanos continua, especialmente em conhecimento, educação e acesso à informação.
- Ela aponta que, apesar da mecanização, há vulnerabilidade maior no campo e situações de trabalho degradantes em algumas fazendas.
- O trabalho escravo ainda é uma realidade no meio rural, com jornadas exaustivas, moradia inadequada e servidão por dívida, segundo Bambirra.
- Minas Gerais é pioneiro no combate ao trabalho escravo, mas a auditoria-fiscal ressalta a necessidade de mais estrutura e pessoal para fiscalização eficaz e responsabilização de cadeias produtivas.
- Em 2025, a Delegacia Sindical de Minas Gerais do Sinait registrou 783 ações fiscais em estabelecimentos rurais, com 2.063 trabalhadores em situação irregular e 3.964 irregularidades relativas à saúde e à segurança; também houve 59 trabalhadores resgatados em lavouras de café e 18 pessoas encontradas em carvoarias no norte do estado.
No Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores do Campo, o Brasil encara ainda desafios relevantes na proteção de trabalhadores rurais, com precarização persistente e vulnerabilidade frente ao urbano. Auditores-fiscais apontam avanços, mas destacam entraves estruturais.
A auditora-fiscal Alessandra Bambirra, da Delegacia Sindical de Minas Gerais do Sinait, afirmou que há grande disparidade entre campo e cidade em educação, acesso à informação e conectividade. Segundo ela, a fiscalização encontra maior vulnerabilidade entre trabalhadores rurais.
Ainda na avaliação dela, há impactos socioeconômicos: há fazendas de alta produção e trabalhadores qualificados, porém condições degradantes de trabalho persistem no meio rural. A diferença entre as realidades do campo e da cidade é significativa, afirmou.
Trabalho escravo
A executiva reforçou que o trabalho escravo permanece no país, com situações críticas no meio rural, especialmente em jornadas exaustivas, condições de moradia degradantes e servidão por dívida. A fiscalização enfrenta dificuldades estruturais para atuação plena.
Minas Gerais é apontada como pioneira no combate ao trabalho escravo, mas a auditoria alerta para necessidade de mais estrutura e pessoal. Dos dois lados, segundo Alessandra, desafios dificultam avanços eficientes.
Certificação e políticas
Ela ressaltou a importância de políticas públicas eficazes e da responsabilização das cadeias produtivas. Empresas têm buscado vincular marcas a produção livre de escravo, infantilidade, condições degradantes e acidentes de trabalho.
A defesa é pela certificação de todo o processo produtivo, não apenas do produto ou da marca. A ideia é responsabilizar toda a cadeia para ampliar resultados econômicos sem abrir mão de direitos trabalhistas.
Informalidade e integração
O trabalho no campo continua marcado pela informalidade, deixando o trabalhador mais vulnerável à previdência, à precarização e à invisibilidade institucional. Muitos resgates ocorrem em regiões vulneráveis de MG e do Nordeste, com aliciamento por intermediários conhecidos como gatos.
O Dia do Campo reforça a necessidade de integração entre poder público e setor privado. Há demanda por saúde, educação, acesso à informação e infraestrutura, para reduzir vulnerabilidades.
OIT e ações recentes
A Organização Internacional do Trabalho reconhece o Brasil por seu modelo de Previdência Rural, que protege agricultores familiares e pescadores artesanais, mesmo sem contribuição direta. O Ministério do Trabalho acompanha informalidade e trabalho análogo à escravidão.
Em 2025, a delegacia de MG realizou 783 ações fiscais em estabelecimentos rurais, identificando 2.063 trabalhadores irregulares e 3.964 irregularidades em saúde e segurança. Entre operações recentes, 59 trabalhadores foram resgatados em lavouras de café no sul e centro-oeste, e 18 pessoas foram encontradas em carvoarias no norte, com famílias e crianças envolvidas.
A fiscalização é apontada como ferramenta essencial para prevenir violações e promover condições de trabalho mais justas no campo. O objetivo é ampliar a proteção sem prejudicar a produção agrícola.
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