- Bilionários como Larry Page, Sergey Brin, Jeff Bezos e Mark Zuckerberg estão transferindo patrimônio para a Flórida, em busca de ambiente fiscal mais favorável.
- Apropriação da mansão de Mark Zuckerberg em Indian Creek Island, Miami-Dade, por US$ 170 milhões ilustra o interesse por imóveis na região.
- O movimento ocorre em meio a uma proposta na Califórnia de cobrar 5% do patrimônio dos bilionários, incluindo ações, obras de arte e ativos negociados em bolsa.
- Bens fora da Califórnia, com pelo menos 270 dias em 2026, podem ficar isentos do imposto; a lei também prevê proteção patrimonial na Flórida, incluindo isenção de impostos sobre salários e ganhos de capital.
- O projeto, chamado Billionaire Tax Act, é promovido por sindicatos para financiar o Medi-Cal e arrecadar até US$ 100 bilhões em cinco anos, com propostas de retroação a 1º de janeiro de 2026 e cobrança entre junho e julho de 2027.
O estado da Califórnia tramita uma proposta de taxação sobre fortunas bilionárias, que pode afetar investidores e empresários de peso. A ideia é tributar 5% do patrimônio, incluindo ações, participações, obras de arte e itens de alto valor, com regras que costumam alcançar grandes fortunas nacionais e internacionais. A mudança tem impulsionado movimentos entre bilionários que passam a considerar a Flórida como destino.
Nomes de destaque no setor de tecnologia aparecem entre os que avaliam redirecionar patrimônio ou residência. Entre eles estão Larry Page e Sergey Brin, cofundadores do Google; Jeff Bezos, da Amazon; Howard Schultz, da Starbucks; e Mark Zuckerberg, da Meta. Este último já investiu em uma mansão de alto valor na região de Indian Creek Island, em Miami-Dade.
Segundo especialistas, a migração para a Flórida vem acompanhada de incentivos fiscais locais que divergem da proposta californiana. Andrea Baldini, especialista em mercado imobiliário de luxo, aponta vantagens como proteção patrimonial e ausência de tributação estadual sobre salários, ganhos de capital, juros e heranças.
O que está em jogo
A Califórnia propõe o projeto chamado Billionaire Tax Act, encabeçado por Suzanne Jimenez, ligado a sindicatos que defendem financiamento para a saúde pública estatal. A proposta prevê arrecadação destinada ao Medi-Cal, com déficit estimado em US$ 30 bilhões. A arrecadação prevista é de US$ 100 bilhões em cinco anos.
O texto tramita hoje em fase de coleta de assinaturas. Caso obtenha apoio suficiente até junho, a iniciativa pode ir a voto nas eleições de novembro de 2026. Se aprovada, a tributação começaria entre junho e julho de 2027, com avaliação de bens em 31 de dezembro de 2026.
Como funcionaria a tributação
A lei fixaria imposto sobre ativos acima de US$ 1 bilhão, com aplicação retroativa a residentes da Califórnia na data da obrigação fiscal. A proposta prevê sanções para evitar sonegação, incluindo movimentações consideradas atípicas. Bens localizados fora do estado por ao menos 270 dias em 2026 poderiam ficar isentos.
Sindicato e oposição
Os defensores do projeto sustentam que a medida é necessária para manter serviços públicos. Em defesa, destacam que a proposta não deve causar demissões em grande escala e a riqueza global dos bilionários seria tributada de forma relativamente modesta frente aos ganhos.
Entretanto, críticos avaliam impactos potenciais, como mudanças de sede societária ou deslocamento de ativos, além de debates sobre justiça fiscal. A discussão envolve temas complexos de direito tributário estadual, finanças públicas e mobilidade de capitais.
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