- Polícia realiza operação no Vidigal contra Ednaldo Pereira dos Santos, conhecido como Dada, chefe do tráfico na Bahia, aliado ao Comando Vermelho.
- Cerca de 200 turistas ficaram retidos no Morro Dois Irmãos durante a ação; ninguém ficou ferido.
- Dada alugou uma casa no Vidigal para curtir o feriado e fugiu com os comparsas por passagem secreta antes da chegada dos agentes.
- A delação aponta que o esquema de fuga envolveu até R$ 2 milhões, com ligação a ex-deputado e ex-diretor de penitenciária; Joneuma Neres firmou acordo de delação premiada.
- Três pessoas foram presas na operação, incluindo Núbia Santos Oliveira, apontada como operadora financeira do Comando Vermelho; buscas continuam pela captura de Dada.
Uma operação policial no Vidigal, na Zona Sul do Rio de Janeiro, interrompeu a rotina de moradores e turistas que pretendiam subir ao Morro Dois Irmãos para contemplar o pôr do sol. A ação cibleou lideranças do Comando Vermelho ligadas à Bahia e resultou em prisões e buscas por envolvidos.
Os investigadores localizam Ednaldo Pereira dos Santos, conhecido como Dada, apontado como chefe do tráfico em Caraíva e Trancoso, destinos turísticos do sul da Bahia. Segundo apuração, ele se associou ao Comando Vermelho e se abrigou no Rio sob disfarce de turista.
A operação ocorreu na tarde de segunda-feira. Durante a ação, disparos foram ouvidos e parte do morro foi isolada. Um grupo de turistas, estimado em cerca de 200 pessoas, ficou retido no cume até a reabertura gradual do acesso.
Na abordagem, criminosos haviam bloqueado uma avenida com caçambas incendiadas e um ônibus atravessado. Contudo, não houve feridos entre os visitantes, que foram liberados ao término da operação.
Contexto da investigação
A polícia aponta que Dada alugou uma casa no Vidigal para curtir o feriado, acompanhado de cúmplices. Imagens de inteligência mostram um cenário de churrasco, piscina e quartos com vista para o mar, associando o traficante ao grupo. O grupo teria fugido por uma passagem secreta antes da chegada das equipes.
A fuga de Dada ocorreu no final de 2024, quando 16 detentos escaparam do Conjunto Penal de Eunápolis, com suposto apoio de funcionários do sistema prisional. A direção do presídio e outras autoridades são alvos de investigações sobre suposta corrupção.
Prisões e desdobramentos
Durante a operação no Vidigal, três pessoas foram presas, incluindo Núbia Santos Oliveira, apontada como operadora financeira do Comando Vermelho. Ela possuía mandados de prisão por tráfico e homicídio, segundo o MP da Bahia. O Ministério Público aponta ligação de núcleos da facção à fuga.
O delegado responsável pela ação afirmou que a operação visou capturar lideranças sem colocar turistas ou moradores em risco. Os turistas desceram com segurança após a passagem do cerco, sem relatos de feridos.
Reações e próximos passos
A defesa de Uldorico Júnior, apontado pela delação como participante da fraude que facilitou a fuga de Dada, sustenta que ele não tinha ciência do plano e não recebeu vantagem financeira. Geddel Vieira Lima negou envolvimento direto nos fatos relatados.
A Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia informou que coopera com as investigações. As defesas de outros investigados ainda não se posicionaram para esclarecer os fatos.
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