- Keir Starmer acusou Olly Robbins de obstruir repetidamente a verdade sobre a avaliação de Mandelson, antes de o ex-alto funcionário depor no parlamento.
- O primeiro-ministro reconheceu que a escolha de Mandelson para embaixador em Washington foi um erro fundamental, após descobrir falha na verificação de segurança.
- As informações da verificação foram entregues ao Comitê de Inteligência e Segurança, que deve avaliá-las e devolver ao governo para divulgação pública em breve.
- Robbins teria revertido a decisão de falha na verificação apenas 24 horas depois, deixando pouca chance de mitigações, e o Foreign Office perdeu esse poder.
- Robbins não informou o chefe do governo nem outros oficiais de No. 10 sobre a falha, apesar de ter sido alertado por outras autoridades sobre o tema.
Keir Starmer detalhou nesta terça-feira em Westminster que a nomeação de Peter Mandelson para embaixada em Washington foi um erro fundamental, após confirmar que o aval de segurança não foi concluído antes da decisão. O primeiro-ministro afirmou que o governo foi surpreendido pela falha no processo de vetting.
Em discurso de alto risco à Câmara dos Comuns, Starmer responsabilizou o Escritório de Relações Exteriores pela falta de briefing sobre o relatório de vetting, considerado por ele um descalabro incrível. O material foi entregue ao ISC, que deverá analisá-lo e devolver informações ao governo em breve para divulgação.
A reportagem do Guardian indica que o pacote inclui um resumo com detalhes da vida pessoal e dos negócios de Mandelson, além da recomendação de que ele não passou no vetting. O ISC pode solicitar trilha de auditoria sobre quem sabia do assunto e quando.
Detalhes do caso
- O Comitê de Inteligência e Segurança (ISC) já solicitou documentos do processo decisório no Foreign Office. O presidente do ISC, Lord Beamish, pediu também que ministérios liberem informações sobre decisões internas inexistentes até então.
- Robbins, ex-chefe do Foreign Office, foi demitido na semana passada e não informou o então secretário de Gabinete, Chris Wormald, nem outros assessores de No 10 sobre a falha de vetting. Wormald supervisionava uma revisão do processo em setembro.
- Simon Case, antecessor de Wormald, havia aconselhado Starmer a concluir o vetting de Mandelson antes da nomeação, orientação que foi ignorada. Robbins reverteu a decisão de não aprovar Mandelson 24 horas depois.
Starmer afirmou não ter enganado o Parlamento, admitindo, porém, que a versão anterior dos fatos estava incorreta. Segundo ele, houve uma decisão deliberada de omitir o material, não apenas uma falha de comunicação. O premiê também destacou que informações sensíveis devem ser protegidas, sem impedir o conhecimento do parecer global.
Robbins deverá prestar depoimento na terça-feira à comissão externa de assuntos exteriores (FAC), sob grande expectativa para novos desdobramentos que possam desestabilizar o governo. A gestão de Mandelson em Washington está no centro de tensões entre governo e Whitehall.
Próximos passos
- O ISC deve avançar com pedidos de informações adicionais, incluindo eventuais atas de reuniões de Robbins sobre o caso.
- A equipe de Starmer aguarda a conclusão do parecer para decidir próximos passos políticos e administrativos.
- As avaliações internas do Foreign Office devem continuar, com foco na responsabilização e na melhoria de processos de vetting.
O episódio ocorre em meio a um momento já conturbado para o governo, que busca restaurar credibilidade com o público e manter o foco em crise internacional. A imprensa acompanha de perto as avaliações e possíveis repercussões políticas.
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