- Javier Milei afirmou que enviará ao Congresso uma reforma eleitoral que elimina as eleições primárias (Paso), muda o financiamento de campanhas e institui a Ficha Limpa.
- A mensagem foi publicada no X, com Milei retornando de Israel e dizendo que “amanhã enviaremos a reforma eleitoral ao Congresso”.
- O texto final do projeto não manteve as ideias anteriores de deixar as Paso optativas nem de dividir o financiamento entre partidos.
- A proposta ocorre em meio ao desgaste de Milei, cuja popularidade vem caindo e envolve escândalos recentes, como investigações sobre possível envolvimento no caso Libra e enriquecimento do chefe de gabinete.
- A base de Milei no Congresso, com quase quarenta por cento das cadeiras na Câmara e vinte e um senadores, facilita a aprovação de medidas, apesar da resistência interna dos partidos à abolição das Paso.
Javier Milei anunciou nesta terça-feira, 21, que enviará ao Congresso uma reforma eleitoral que, entre outros pontos, elimina as eleições primárias (Paso) e institui regras semelhantes à Ficha Limpa brasileira. O anúncio foi feito pelo líder ultraliberal via X, em letras maiúsculas, no retorno de sua terceira viagem a Israel desde o início do governo, em 2023.
Segundo o presidente, a reforma também mudará o financiamento de campanhas e criará critérios para excluir candidatos com condenação. Milei afirma que não haverá mais financiamento de partidos por meio de dinheiro público e que quem estiver envolvido em corrupção ficará fora da disputa permanentemente. O texto já vem sendo discutido com o Congresso nas últimas semanas.
A composição do Congresso tem sido favorável a Milei desde as eleições de fim de 2025, quando a legenda adquiriu quase 40% da Câmara e 21 dos 72 senadores. Essa maioria tem viabilizado iniciativas de alto custo político, como reformas trabalhistas e alterações no regime criminal. A proposta para eliminar as Paso surge após negociações que, até agora, não incluíram manter a parte de financiamento de partidos e tornaram opcionais as primárias para parte de apoiadores da coalizão.
A adoção da Ficha Limpa, defendida pelo grupo Proposta Republicana, é apresentada como contrapartida para viabilizar a reforma eleitoral. A ideia, inspirada na lei brasileira, propõe impedir a candidatura de condenados em segunda instância por corrupção. O tema é visto como forma de ampliar o apoio entre parlamentares que resistiam à extinção das Paso.
No cenário de popularidade, Milei vê seu índice de aprovação oscilar. Pesquisas apontam queda de apoio, com avaliações negativas superando as positivas. Em meio a controvérsias recentes envolvendo registros de atividades do criptoativo Libra e investigações sobre o chefe de gabinete, a agenda legislativa ganha um peso estratégico para manter a base de poder.
A reforma eleitoral, caso aprovada, pode alterar o funcionamento das eleições no país. Analistas avaliam que a eliminação das Paso reduziria a fragmentação de candidaturas, mas também pode provocar debates sobre neutralização de oposições. A definição sobre o projeto deve ocorrer ao longo do próximo período legislativo.
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