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Projeto na Câmara quer punir uso da Justiça contra mulheres

Projeto na Câmara dos Deputados propõe tipificar violência processual contra mulheres para coibir ações repetidas que intimidam vítimas no Judiciário

Pessoa vestindo capa de chuva transparente segura cartaz amarelo nas costas com a frase 'NÃO É AMOR É VIOLÊNCIA DENUNCIE!' durante protesto em rua molhada. Outras pessoas com capas de chuva e guarda-chuvas aparecem ao fundo em dia chuvoso.
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  • Um projeto na Câmara quer incluir a chamada violência processual na Lei Maria da Penha, reconhecendo o uso abusivo da Justiça contra mulheres.
  • A proposta define condutas abusivas no âmbito judicial, como ações e recursos sem fundamento para prolongar processos e intimidar a vítima.
  • O objetivo é frear disputas repetitivas que mantêm o vínculo entre as partes mesmo após o fim da relação.
  • O projeto foi apresentado em dezembro de 2024 pelo deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) e já recebeu parecer favorável, mas não avançou e aguarda relator na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.
  • Relatos de especialistas e de uma assistente social em Ipatinga indicam que a violência tem migrado para o Judiciário, com casos de intimidação e dificuldade de rede de apoio para as vítimas.

Um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados quer reconhecer o uso abusivo da Justiça como violência contra a mulher. A proposta, apresentada em dezembro de 2024 pelo deputado Aureo Ribeiro, altera a Lei Maria da Penha para incluir a violência processual. O objetivo é punir quem usa ações e recursos sem fundamento para intimidar a vítima.

Segundo o texto, trataria-se de condutas abusivas no âmbito judicial com o intuito de prolongar processos, desgastar a vítima e limitar o acesso à Justiça. A justificativa aponta que agressores transformam o sistema legal em extensão do controle sobre a mulher, mantendo disputas mesmo após o fim da relação. O projeto já teve parecer favorável, mas não avançou desde o ano passado e aguarda designação de relator.

Contexto e pontos da proposta

Especialistas afirmam que o Judiciário tem sido utilizado como canal de violência assistida, com ações repetidas contra vítimas, familiares e próximos. Hoje, não há tipificação específica para esse comportamento. Magistrados costumam aplicar instrumentos já existentes, como abuso do direito de ação e multa por litigância de má-fé.

Na prática, a discussão envolve casos em que o processo funciona como pressão e desorganiza redes de apoio. Em Minas Gerais, um policial militar foi condenado por perseguir a ex-companheira, usando medidas judiciais para intimidar. Também houve relatos de casos semelhantes em Ipatinga.

Relatos e impactos

Assistentes sociais relatam padrões de intimidação, com novas estratégias surgindo quando há poder envolvido. O atendimento a vítimas envolve orientação, acompanhamento e planejamento de proteção. Advogadas ouvidas pela reportagem reconhecem a mudança da violência para a arena judicial.

A presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB-SP aponta que o espaço de violência migra para o processo, criando frequentes ações repetidas e narrativas depreciativas contra a mulher. A conselheira do CNJ destaca que o abuso ocorre quando ações, recursos ou notificações são usados repetidamente para intimidar.

Perspectivas institucionais

A falta de uma classificação legal específica dificulta a produção de dados oficiais sobre o fenômeno. No CNJ, não há levantamento dedicado à violência processual, apesar de decisões utilizarem protocolo de gênero para análises. O direito de ação permanece protegido, mas pode ser restringido quando é usado com fins de perseguição.

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