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Quase metade das crianças dos EUA respira poluição perigosa, alerta relatório

Quase metade das crianças americanas respira poluição perigosa, segundo o relatório, em meio a rollbacks da EPA que podem agravar a qualidade do ar

A child watches from the Venice Pier as smoke rises from the Palisades wildfires in the background on 11 January 2025 in Los Angeles, California.
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  • Segundo o relatório anual da American Lung Association, 33,5 milhões de crianças nos EUA — 46% de menores de dezoito anos — vivem em áreas com pelo menos uma avaliação de poluição do ar reprovada, com dados de 2022 a 2024.
  • Além disso, 7 milhões de crianças (10%) estão em comunidades que falharam as três medidas analisadas (ozônio, poluição de partículas ao longo do ano e em picos de curto prazo).
  • Entre 2022 e 2024, 38% da população americana, cerca de 129,1 milhões de pessoas, estiveram expostas a níveis de ozônio que colocam a saúde em risco, o maior número em seis anos.
  • Fatores como calor extremo, seca e incêndios florestais contribuíram para o aumento do ozônio, com maior impacto no sudoeste e grande parte do meio-oeste; a fumaça de incêndios no Canadá também influenciou.
  • O relatório aponta que as mudanças climáticas elevam a poluição por ozônio e cita datacenters como fonte crescente de poluição, além de criticar rollbacks da EPA (administração de Donald Trump) que, segundo especialistas, podem piorar a qualidade do ar.

Após analisar dados coletados entre 2022 e 2024, a American Lung Association (ALA) divulgou seu 27º relatório anual sobre qualidade do ar. O estudo avalia ozônio ao nível do solo, além de poluentes de partículas, com base em padrões de qualidade do ar.

Segundo a ALA, quase metade das crianças dos EUA respira ar com níveis perigosos de poluição. O documento aponta que 33,5 milhões de menores, ou 46% de quem tem menos de 18 anos, vivem em áreas com nota insuficiente em ao menos um indicador.

Do total, 7 milhões de crianças (10%) residem em comunidades que falharam nos três critérios avaliados. A associação destaca que o pulmão infantil ainda está em desenvolvimento e que a exposição pode favorecer a incidência de asma e doenças respiratórias.

Números-chave e distribuição geográfica

A poluição por ozônio continua sendo o problema mais disseminado. Entre 2022 e 2024, 38% da população dos EUA—cerca de 129,1 milhões de pessoas—estava exposta a níveis de ozônio que comprometem a saúde, o maior registro em seis anos. A alta taxa envolve principalmente estados do sudoeste, Califórnia a Texas, e parte do Midwest.

A combinação de calor extremo, seca e queimadas contribuíram para o aumento do ozônio. Em 2023 e 2024, condições climáticas favoreceram a formação de smog, com impactos acentuados em regiões do sul dos EUA.

Desigualdades, causas e tendências

O relatório aponta que comunidades negras e hispânicas enfrentam maior exposição a ar inadequado. Embora representem 42,1% da população, respondem por 54,2% dos moradores de condados com pelo menos uma nota ruim. Segundo a ALA, pessoas de cor são 2,42 vezes mais propensas a viver em áreas com falha completa nos três indicadores.

Além do tráfego industrial, o estudo cita datacenters como fonte emergente de poluição. A demanda por energia para esses centros aumenta a pressão sobre redes regionais, com uso de geradores a diesel e dependência de fontes fósseis, em meio a um consumo de eletricidade que pode chegar a 12% no próximo decênio.

Controvérsias regulatórias e contexto político

A ALA vincula parte da piora da qualidade do ar às mudanças regulatórias em curso no governo federal. A gestão de Donald Trump promoveu desregulamentações de proteção ambiental, conforme o relatório. A associação cita atrasos na atualização de padrões de partículas, flexibilização de regras para veículos e flexibilizações de controles sobre a poluição climática.

Desde a reeleição do presidente anterior, o Executivo iniciou ações para reverter políticas ambientais, incluindo limites de emissões de mercúrio em usinas de carvão e mudanças em comitês consultivos da EPA. A organização ressalta a importância de fontes de energia limpas para reduzir impactos respiratórios.

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