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Justiça urbana enfrenta diversas formas de violência

Violências urbanas, invisíveis e estruturais, afetam mulheres agricultoras no extremo sul de São Paulo, desafiando políticas públicas e abrindo caminho para resistência comunitária

Fernanda Luchiari de Lima – Foto: Arquivo pessoal
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  • O texto analisa violência urbana e racismo ambiental em São Paulo, destacando a periferia e áreas rurais como espaços de disputa e exclusão.
  • A expansão urbana excludente empurra pessoas pobres para territórios com menos infraestrutura e serviços públicos, sob a lógica do urbanismo desigual.
  • Agricultoras do extremo sul rural descrevem violências no acesso à cidade, saneamento inadequado, dificuldade de acesso a políticas públicas e desmatamentos que afetam a vida das mulheres.
  • A poluição por material particulado (PM2,5) é apresentada como violência estrutural com impactos na saúde, associada a doenças e mortes, muitas vezes invisível.
  • As mulheres moradoras desses territórios resistem cotidianamente e defendem uma agenda urbana que transforme estruturas de produção de desigualdade, valorizando cuidado, território e vida.

Há pouco mais de meio século, São Paulo ainda mantinha vínculos com o rural. Hoje, as bordas da cidade, como Parelheiros, ainda revelam territórios de ruralidade em disputa. A análise foca na violência urbana e nas violências estruturais na metrópole.

A autora, Fernanda Luchiari de Lima, pesquisadora da Ciris-USP/Unicamp, examina como a periferia se consolidou como expressão de expansão excludente. O conceito de racismo ambiental destaca a realocação de população racializada para áreas com menor infraestrutura e mais riscos.

O estudo aponta que a narrativa de resiliência, defendida por políticas públicas, coloca sobre indivíduos a responsabilidade de se adaptar a condições estruturais de pobreza, escassez e subemprego. O papel do Estado fica, assim, menos visível.

Enquanto a urbanização se reorganiza em torno da privatização de bens públicos, surgem redes de convivência nas comunidades rurais da cidade. Entre agricultoras, destacam-se cooperação, mutirões de colheita e caronas solidárias para acesso a serviços.

As mulheres agricultoras relatam violências que vão além da criminalidade: desigualdade de acesso à cidade, saneamento precário, medo da violência física e de gênero, além de desmatamentos que ameaçam a vida no extremo sul rural.

Os relatos costuram um mosaico de violências — estrutural, simbólica e urbana — que afetam a vida cotidiana de formas variáveis. O conceito de 4 Ts (Terra, Trabalho, Transporte e Tempo) ajuda a mapear essas pressões.

A poluição atmosférica, especialmente PM2,5, é citada como violência silenciosa, ligada à busca por cidades mais fortes economicamente. Esses poluentes elevam riscos de doenças respiratórias, cardiovasculares e câncer.

Conclui-se que as violências não se esgotam em ações de segurança pública. Nomear e enfrentar as várias dimensões é essencial para deslocar responsabilidades políticas e enfatizar direitos violados.

As mulheres do extremo sul rural, embora vulneráveis, também são resistentes. Elas constroem redes de cuidado e formação de novos formatos comunitários diante das mudanças climáticas e das policrises urbanas.

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