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Vicaricídio: crime que usa filhos como instrumentos de vingança

Advogados e especialistas defendem reconhecer o vicaricídio como violência específica, para ampliar prevenção, proteção a mães e crianças e orientar decisões judiciais

Hangra Leite Peçanha, advogada especialista em direito cível e de família
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  • O vicaricídio é quando filhos são usados para atingir emocionalmente a mãe, em contexto de violência doméstica.
  • O crime não tem tipificação autônoma na legislação brasileira, o que complica a identificação precoce de riscos e a uniformidade de decisões judiciais; projetos legislativos buscam avançar nesse reconhecimento.
  • Casos de violência de gênero, controle e punição frequentemente envolvem ameaças ou uso dos filhos como instrumento de vingança, aproximando o fenômeno do feminicídio.
  • Medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha são essenciais (afastamento do agressor, proibição de contato e suspensão da convivência com os filhos), mas exigem fiscalização eficaz.
  • Há necessidade de capacitação contínua de magistrados, advogados e equipes técnicas para identificar sinais de escalada e proteger mulheres e crianças.

O vicaricídio é uma forma de violência em que o agressor utiliza os filhos como instrumento de vingança ou controle contra a mãe. O conceito tem ganhado visibilidade no Brasil nos últimos anos, à luz de casos de repercussão e do debate sobre violência de gênero.

Nessas situações, a vítima principal é a mãe, ainda que a ação seja contra terceiros. O fenômeno está ligado à dinâmica de controle e punição, típica de relações abusivas, e busca punir a autonomia da mulher.

Especialistas destacam que o vicaricídio não está tipificado de forma autônoma na legislação brasileira, o que atrasa o reconhecimento de riscos e a padronização de decisões judiciais. Projetos em tramitação visam esse enquadramento.

A prática mostra sinais de alerta antes de tragédias: histórico de violência, ameaças envolvendo filhos, comportamento possessivo, não aceitação do fim do relacionamento. O uso de filhos na chantagem é recorrente em casos graves.

Casos envolvendo guarda e convivência com crianças também recebem atenção, pois decisões judiciais podem expor famílias a riscos. Medidas protetivas da Lei Maria da Penha são instrumentos essenciais, com necessidade de fiscalização eficaz.

Mesmo com avanços institucionais, há deficiências na identificação de padrões de escalada da violência. A violência psicológica costuma ser subestimada, exigindo capacitação contínua de magistrados, advogados e equipes técnicas.

Ampliar o debate sobre o tema ajuda a tornar a violência visível, antecipar riscos e fortalecer a proteção a mulheres e crianças. Nomear o fenômeno é visto como passo inicial para combatê-lo e aprimorar políticas públicas.

Desafios legais

  • A falta de proteção específica dificulta a atuação precoce e a responsabilização do agressor.
  • A guarda compartilhada pode exigir avaliação de risco rigorosa quando há histórico de violência.
  • A fiscalização de medidas protetivas depende de recursos e coordenação entre órgãos de segurança e Justiça.

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