- Haddad mira construir um palanque forte em São Paulo para vencer Tarcísio de Freitas e apoiar a reeleição de Lula, que hoje fica atrás de Flávio Bolsonaro nas pesquisas.
- O PT usa a ideia de um “risco democrático” representado por Flávio para angariar apoio de setores preocupados com o legado de Bolsonaro.
- Em 2022, Haddad teve 44,7% no segundo turno paulista contra Tarcísio (55,2%), e Lula teve 53,4% frente a Jair Bolsonaro (46,4%); a expectativa é que São Paulo ajude a votação de Lula.
- O pré-candidato sinaliza que a campanha discutirá questões locais e nacionais, visando ampliar alianças e demarcar diferenças com o bolsonarismo, fortalecendo Lula.
- Estão em aberto vagas de vice e Senado, com intenção de ampliar apoio entre agronegócio e empresariado, e o PT promete manter o tom de uma campanha “decente, limpa e propositiva”.
A pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo busca estruturar um palanque capaz de derrotar o atual governador Tarcísio de Freitas e, ao mesmo tempo, sustentar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. O PT aposta em uma leitura de que São Paulo é o principal colégio eleitoral do país.
No entorno de Haddad, cresce a estratégia de ligar a candidatura ao que tem sido chamado de risco democrático representado por Flávio Bolsonaro. A leitura é de que o tema pode mobilizar setores que se preocupam com o legado de governança associada aos Bolsonaros.
Durante uma reunião fechada realizada nesta semana, Haddad expressou preocupação com a suposta normalização da candidatura de Flávio, sem considerar riscos institucionais. O PT tem buscado apresentar o senador como moderado e evitar temas que o comprometam num momento inicial.
Nos cálculos do PT, é essencial ampliar a votação em São Paulo, Estado que concentra cerca de 35 milhões de eleitores, equivalente a 20% do total do país. Haddad já sinalizou que ficará satisfeito se repetir o desempenho de 2022 e contribuir para a eleição de Lula.
Palanque, alianças e perspectivas locais
Há quatro anos, Haddad obteve 44,7% no segundo turno estadual, contra 55,2% de Tarcísio. Em todo o estado, Lula teve 53,4% contra 46,4% de Jair Bolsonaro. A equipe petista espera que a força de São Paulo compense derrotas em outras regiões.
Interlocutores próximos a Haddad, que falaram em reserva ao Valor, afirmam que a campanha incluirá debate de questões locais, mas também de temas nacionais. A ideia é desgastar o atual governador e o presidenciável aliados, fortalecendo Lula no estado.
O ex-ministro subiu o tom contra Flávio nos últimos dias, chamando o adversário de forma pejorativa nas redes sociais. A estratégia é associar o bolsonarismo a riscos à democracia e ampliar a diferenciação com o governo atual.
Estrutura de chapa e agenda da campanha
Haddad tem sido cobrado por ampliar gestos políticos, alinhando-se a uma frente ampla para ampliar o alcance da candidatura. Ele afirma que a configuração da chapa será definida mais adiante, com participação de partidos aliados, sem confirmar nomes para vice.
Para as vagas no Senado, permanecem divergências envolvendo Simone Tebet, Marina Silva e Márcio França, com o PT buscando consenso entre aliados para evitar fragmentação da base.
O comando da campanha estadual do PT destaca críticas ao governo Tarcísio, incluindo os efeitos da privatização da Sabesp. Haddad tem intensificado a coleta de dados sobre gestão estadual para embasar a disputa.
Tom de campanha e propostas
Haddad planeja uma campanha que, segundo seus interlocutores, seja decente, limpa e propositiva, evitando ataques de baixo nível. A meta é discutir temas de interesse do eleitor paulista, mantendo o foco na diferença com o bolsonarismo.
Em resposta a ataques ao apelido Taxad, a equipe avalia estratégias para reafirmar a leitura de justiça tributária, defendendo ações que foquem em faixas de renda e sonegadores, sem perder o eixo de propostas.
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