- Em 2024, foram identificados mais de 83 mil links com conteúdos de tortura animal em grandes plataformas, segundo a SMACC.
- No Brasil, a Polícia Civil de São Paulo aponta aumento de 120% nos casos de maus-tratos veiculados na internet entre 2024 e 2026.
- Casos agora incluem transmissões ao vivo de tortura com audiências de até 800 pessoas em servidores fechados; o mês de abril é destacado como período de maior alerta.
- A campanha Animal Safety e o Projeto de Lei 1043/2026 visam punir crimes cibernéticos contra animais e obrigar plataformas a moderar conteúdo, com penas de até 12 anos e multas relevantes para Big Techs.
- Autoridades dizem que a denúncia é essencial para interromper o ciclo de violência, destacando a necessidade de cooperação entre plataformas, órgãos públicos e a educação para prevenção.
Quatro meses após o caso do “Cão Orelha”, o debate sobre crueldade animal ganha contornos sombrios no ambiente digital. Dados da SMACC indicam que, em 2024, foram identificados mais de 83 mil links com conteúdos de tortura animal em grandes plataformas. No Brasil, a Polícia Civil de São Paulo aponta alta de 120% nos casos veiculados na internet entre 2024 e 2026.
A modalidade vem evoluindo de vídeos de negligência para transmissões ao vivo de torturas extremas, com audiências que chegam a 800 pessoas em servidores fechados. A delegada Lisandrea Salvariego, chefe do NOAD, afirma que a violência mudou de patamar, exigindo respostas rápidas das plataformas.
Diferenças entre tempo, dinheiro e resposta pública marcam o cenário atual. Mesmo com o ECA Digital em vigor, as autoridades relatam pouca melhoria na moderação de conteúdos ou na proteção de menores. A lentidão das Big Techs é destacada como entrave à atuação policial, que precisa agir com agilidade para salvar vítimas.
Animal Safety: uma resposta legislativa
A Ampara Animal lançou a campanha global Animal Safety para pressionar plataformas a adotar medidas proativas contra conteúdos de violência. A iniciativa apoia o Projeto de Lei 1043/2026, de Matheus Laiola, que cria uma política nacional de combate a crimes cibernéticos contra animais. O PL tipifica maus-tratos, gravação, compartilhamento e monetização de conteúdos, inclusive gerados por IA, com penas que chegam a 12 anos de prisão.
O texto também prevê sanções para as Big Techs, com multas de até 2% do faturamento e suspensão de atividades em caso de descumprimento na remoção de conteúdos ilegais. A proposta busca ampliar a responsabilização das plataformas e acelerar a retirada de conteúdos prejudiciais.
Conexão com movimentos extremistas e Redpill
A campanha destaca a relação entre tortura animal e a ascensão de movimentos como Redpill e Incel. A equipe da Ampara Animal aponta que alguns desafios visam testar a coragem ou masculinidade por meio da crueldade, o que pode dessensibilizar jovens. A ONG defende educação humanitária urgente nas escolas para promover empatia.
Dados da polícia indicam que o perfil dos criminosos envolve adolescentes e jovens entre 11 e 21 anos. A tortura a animais é vista como porta de entrada para crimes contra pessoas; estatísticas apontam ocorrências durante a madrugada, entre 23h e 4h. Pais são aconselhados a manter supervisão de dispositivos móveis.
Como denunciar
As autoridades orientam que a denúncia interrompa o ciclo de violência. Comunique a plataforma e procure os órgãos oficiais, como o Disque Denúncia (181) em São Paulo, para relatos anônimos. Preserve provas: prints, URLs e, se possível, registre ocorrência policial. Em casos de atuação criminosa comprovada, a cooperação de ONGs facilita a formalização de denúncias.
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