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Sob Castro, Palácio Guanabara vira base de apoio bolsonarista

Horas antes da condenação, ex-governador destinou 730 milhões do Fundo Soberano a prefeitos aliados; bloqueio foi imposto pelo tribunal

O governador em exercício e presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto de Castro
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  • Horas antes da condenação no TSE por uso indevido da máquina pública nas eleições de 2022, o ex-governador Cláudio Castro destinou R$ 730 milhões do Fundo Soberano a 16 prefeituras aliadas; R$ 250 milhões já haviam sido liberados pela Secretaria das Cidades, sem detalhamento do uso.
  • O bloqueio do dinheiro foi determinado pelo desembargador Ricardo Couto, que promoveu uma “faxina” no Palácio Guanabara, apontando que o local virou um enorme comitê eleitoral bolsonarista com ligações com o crime organizado.
  • Castro renunciou para evitar cassação e, hoje, é inelegível; ele se apresenta como vítima, apesar de o repasse de verbas ter ocorrido horas antes da condenação.
  • Por trás da estrutura de governo, havia uma Subsecretaria de Gastronomia criada em julho de 2025, chefiada pelo deputado federal Eduardo Pazuello, com expansão de cargos e cabides de emprego que cresceram para doze, segundo a reportagem.
  • O conjunto de mudanças incluiu extinção de três secretarias e mais de seiscentos exonerados de cargos de confiança, muitos sem senha de acesso ou crachá, caracterizando uma estrutura de funcionários afastados do cotidiano institucional.

O ex-governador Cláudio Castro enfrenta novas acusações e críticas relacionadas ao uso da máquina pública durante a campanha de 2022. A condenação do TSE foi anunciada no dia 24 de março, em meio a uma mudança de gestão no Palácio Guanabara.

Horas antes da decisão judicial, Castro autorizou movimentação de 730 milhões de reais do Fundo Soberano, poupança oriunda de royalties do petróleo, para 16 prefeituras do interior. Segundo o Tribunal, o dinheiro foi destinado a projetos de infraestrutura de longo prazo e houve bloqueio parcial.

A liberação de parte do fundo, 250 milhões, ficou a cargo da Secretaria das Cidades, pasta chefiada pelo deputado Douglas Ruas, candidato bolsonarista ao governo do Rio de Janeiro. Não houve detalhamento público sobre o destino dos recursos.

A operação de corte de gastos e reorganização no governo aponta para a atuação da atual gestão, sob o comando do desembargador Ricardo Couto, que preside o Tribunal de Justiça do Rio. O objetivo declarado é limpar estruturas administrativas de cargos de confiança.

Entre as mudanças, destaca-se a subsecretaria de Gastronomia, criada em julho de 2025 e ligada a Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde. A área, chefiada por um empresário do setor, teria origem em um único cargo de assessor da Imprensa Oficial.

O número de exonerados de cargos comissionados ultrapassa 600, segundo apuração de fontes oficiais. A maior parte dos afastados não possuía senhas de acesso a sistemas ou crachá, caracterizando uma informalidade administrativa.

A crise institucional envolve também a prisão de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, citado como candidato governista à sucessão e apontado por autoridades como envolvido com organizações criminosas. O caso ampliou o escrutínio sobre o Palácio Guanabara.

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