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Universidades dos EUA veem aumento de centros de antissemitismo

Universidades americanas criam centros de antisemitismo; críticos alertam para substituição de expertise por ideologia e risco de marginalização de estudiosos

The initiative at the University of Washington is just one of many that have been instituted at schools across the US.
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  • Na Universidade de Washington, um grupo de docentes decidiu criar um centro para antisemitismo, alegando ambiente campus hostil e normalização de retórica anti-Israel e antissemita após 7 de outubro de 2023.
  • O centro não é formalmente vinculado à universidade, depende de recursos internos e arrecadações, e é chefiado por uma co-presidente de uma força-tarefa contra antisemitismo, atualmente professor de saúde pública.
  • Críticos entre professores de história e estudos judaicos dizem que o grupo substitui expertise acadêmica por ideologia, dificultando o avanço de pesquisas consolidadas.
  • O UW afirma que o projeto é um grupo liderado por docentes, não endossado pela instituição, sem resposta sobre o uso de branding institucional e infraestrutura de captação de recursos.
  • A iniciativa faz parte de um conjunto maior de centros e programas sobre antisemitismo nos Estados Unidos, impulsionados por doadores, pressões políticas e debates sobre conceito IHRA, com impactos variados na pesquisa acadêmica.

At the University of Washington (UW), a group of faculty criou um centro acadêmico para abordar o que veem como antissemitsmo, após relatos de ambiente hostil e retórica anti-Israel na universidade desde 7 de outubro de 2023. O objetivo declarado é oferecer espaço para investigação aberta, rigor intelectual e debates sem temor.

O centro é chefiado por uma co-presidente de uma força-tarefa contra o antissemitsmo, porém a líder é professora de saúde pública, não especialista em estudos judaicos. Outros membros vêm de faculdades de direito e de negócios, e o grupo não é formalmente vinculado à universidade, ainda que utilize recursos institucionais para processar doações.

Até agora, o centro realizou dois eventos públicos com vozes fortemente pró-Israel e publicou uma newsletter. Professores com formação em história judaica veem o movimento como uma postura anti-intelectual que desloca o foco da expertise para a ideologia, segundo relatos coletados pela imprensa.

A universidade informou que o projeto se insere entre várias iniciativas acadêmicas organizadas de forma autônoma por docentes e que a UW não endossa as opiniões manifestadas por esses grupos. Não houve resposta sobre o uso de marca institucional ou infraestrutura de captação de recursos pelo centro.

A criação do centro faz parte de um conjunto mais amplo de ações universitárias sobre antissemitsmo nos EUA, impulsionado pelo conflito em Gaza e por pressões políticas que visam moldar a agenda acadêmica. As iniciativas variam entre estudos formais, eventos, bolsas e programas de intercâmbio, em um cenário de financiamento por doadores e risco de investigações legais.

Especialistas em estudos judaicos observam com preocupação a proliferação de centros dedicados ao tema, argumentando que podem marginalizar pesquisadores com décadas de atuação na área. Segundo fontes, há receio de que investimentos significativos ocorram em períodos de cortes orçamentários em educação.

Alguns docentes defendem a continuidade do estudo do antisemitismo, ressaltando que ele é um tema legítimo que merece investigação acadêmica sólida. Outros destacam a necessidade de manter a neutralidade e evitar políticas de censura ou de promoção de agendas políticas em pesquisas.

Na prática, ainda não há consenso entre as universidades sobre o equilíbrio entre pesquisa acadêmica e posicionamento político. Pesquisadores destacam que a qualidade da metodologia e a autonomia das departamentos são essenciais para avançar no estudo do tema sem distorções.

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