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AGU não tem papel de regular informação, afirma órgão

AGU amplia atuação ao pedir remoção ou rotulagem de posts sobre projeto de lei, via PNDD, provocando debate sobre limites da intervenção estatal nas redes

Detalhe da fachada da Advocacia-Geral da União (AGU), em Brasília (DF)
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  • A Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia, estrutura da Advocacia-Geral da União, enviou notificação para a rede social X pedindo exclusão ou rotulagem de dez postagens sobre um projeto de lei que pune a misoginia, aprovado pelo Senado em março e em tramitação na Câmara dos Deputados.
  • A AGU afirma que as postagens atribuíram trechos de outro projeto, o que ataca a integridade do processo legislativo e confunde a opinião pública sobre uma política pública relevante.
  • Algumas postagens teriam confundido as duas propostas; outras criticavam o impulso legislativo de criminalizar a misoginia, sem relação direta com o texto aprovado.
  • A discussão envolve limites entre atuação da AGU, liberdade de expressão e regulação de desinformação, ampliando o papel da Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia desde o início do governo Lula.
  • Especialistas ressaltam que mudanças na regulação de conteúdo online devem ocorrer no Congresso Nacional, com debate técnico, e que a atuação da AGU em monitoramento de redes ainda é tema de debate.

Uma notificação enviada pela Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia (PNDD), estrutura interna da AGU, solicitou à rede social X a exclusão ou rotulagem de dez postagens sobre um projeto de lei que pune a misoginia. O pedido envolve conteúdos que faziam referência ao texto aprovado pelo Senado em março e que tramita na Câmara dos Deputados.

A AGU afirma que as postagens atribuíram ao texto aprovado trechos de outra proposta, o que, segundo a instituição, ataca a integridade do processo legislativo e confunde a opinião pública sobre uma política pública relevante. Parte das postagens teria confundido os dois projetos e outras criticaram o impulso legislativo de criminalizar a misogínia.

A discussão envolve a atuação da AGU e o papel da PNDD, criada para combater desinformação sobre políticas públicas. O órgão enfatiza que monitorar opiniões sobre Poderes não estava entre as atribuições da AGU, embora a PNDD tenha ampliado esse alcance desde o início do governo Lula.

O pano de fundo é o debate sobre regulação de conteúdos na internet. O STF reinterpretou o artigo 19 do Marco Civil da Internet em 2025, ampliando o espaço para punição de conteúdos considerados ilícitos, mediante notificações extrajudiciais. Em casos de conteúdo criminoso, a punição pode ocorrer, mas não se verifica, no caso em questão, a necessidade de medidas judiciais.

Especialistas apontam que mudanças regulatórias devem ocorrer no Congresso, com debate técnico e amplo. O histórico brasileiro inclui tentativas de regulamentação de desinformação, como o projeto das Fake News, que acabou engavetado em 2024. A decisão envolve questões de liberdade de expressão, processo legislativo e responsabilidade das plataformas.

Contexto técnico e institucional indica que a AGU não deve, em situação normal, se responsabilizar pela moderação de conteúdos online, ainda mais quando o tema envolve opinião pública sobre políticas públicas. A PNDD, no entanto, aparece como mediadora de ações ligadas à desinformação, o que amplia o escopo de atuação da AGU.

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