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Senado questiona Messias sobre limites do Judiciário e penduricalhos

Sabatina de Messias questiona independência entre Poderes, atuação em temas sensíveis e limites do Judiciário, em meio ao caso Master e aos penduricalhos

13/06/2025 - O ministro Jorge Messias, Advogado-Geral da União, participa do programa A Voz do Brasil. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
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  • A sabatina de Jorge Messias, indicado ao STF, ocorre nesta quarta-feira na CCJ, com senadores cobrando independência em relação ao governo e atuação entre os Poderes, incluindo temas como o alcance de decisões da Corte, emendas parlamentares e o caso Master.
  • O debate deve revisitar a trajetória de Messias, incluindo a menção a um diálogo interceptado entre Lula e Dilma Rousseff com o apelido “Bessias”, usado para sugerir vínculos mais políticos do que jurídicos.
  • A proximidade com Lula e a atuação na Advocacia-Geral da União devem ser questionadas, sobretudo sobre como ele pretende atuar em processos envolvendo o governo que o indicou e em conflitos entre Poderes.
  • O tema dos “penduricalhos” do Judiciário e os limites do STF deve surgir, com senadores cobrando clareza sobre autonomia institucional e a revisão de benefícios e verbas indenizatórias.
  • O caso Banco Master também será alvo de questionamentos, com foco em como Messias pretenderá tratar investigações que envolvem o Judiciário, e o tema do aborto pode aparecer, com posição de Messias alinhada a ampliar o papel do Legislativo.

O Senado prepara a sabatina de Jorge Messias, indicado ao STF, nesta quarta-feira. Senadores prometem cobrar independência dele em relação ao governo de Lula, com perguntas sobre atuação em temas que envolvem Judiciário e Congresso, como alcance de decisões da Corte, emendas e o caso Master. A ideia é entender como ele pretende atuar diante dessas disputas.

Interlocutores dizem que Messias intensificou contatos com senadores nos últimos dias e ajustou o discurso para temas sensíveis, enfatizando previsibilidade e respeito às competências dos Poderes. O objetivo é demonstrar neutralidade e evitar interferência indevida.

Bessias e trajetória política

Entre os pontos a serem explorados está a menção a uma conversa de Lula com Dilma Rousseff, interceptada pela PF em 2016. Dilma cita o envio de um documento por meio de “Bessias”, apelido associado ao atual chefe da AGU. Senadores podem usar o episódio para discutir a trajetória do indicado.

A proximidade com Lula e a atuação como advogado-geral da União devem ganhar destaque. Messias atua na defesa jurídica do Executivo, o que envolve disputas com Congresso e STF. Os senadores devem cobrar posicionamento claro sobre sua atuação em conflitos entre os Poderes.

Emendas, transparência e limites do Judiciário

Um tema de desgaste é a participação dele na agenda de transparência das emendas parlamentares. A AGU criou um grupo de trabalho para tratar de irregularidades na execução desses recursos, em linha com decisões do STF. Parte do Senado viu a iniciativa como controle maior sobre o Legislativo.

Outra linha de questionamento envolve a decisão de Gilmar Mendes sobre impeachment de integrantes da Corte. Messias pediu a revisão da liminar, gesto interpretado por alguns senadores como tentativa de acomodar o conflito com o Congresso sem confrontar o STF.

Perguntas sobre limites da atuação e penduricalhos

A sabatina deve também abordar os limites do Judiciário. Senadores pretendem entender como Messias enxerga o papel da Corte em temas que atingem o Congresso. Em reportagem do GLOBO, o indicado afirmou que atuaria contra o intervencionismo da Corte para pacificar a relação entre os poderes.

Questões sobre os chamados “penduricalhos” — verbas indenizatórias do Judiciário — devem surgir, diante da pressão por maior transparência nos gastos. A recente suspensão de verbas sem previsão legal é motivo de debate no Senado.

Caso Banco Master

O tema do Banco Master deve entrar como eixo de pressão. O caso já chegou ao STF e provocou desdobramentos. Dias Toffoli afastou-se após vir a público que manteve proximidade com o banqueiro, o que ele nega ter irregularidade.

Alexandre de Moraes também ganhou escrutínio por contratos entre o Banco Master e o escritório da esposa dele, além de menções a seu nome em investigações. Não houve acusação formal, e Moraes nega qualquer irregularidade.

A orientação a Messias é tratar o tema com cautela, destacando que a análise deve seguir critérios processuais e garantir ampla defesa. Senadores usarão o episódio para avaliar a postura dele diante de investigações que envolvem o Judiciário.

Aborto e posição pessoal

Outra linha de perguntas envolve o aborto. Messias, evangélico, tem dito ser favorável às hipóteses já previstas em lei e que eventuais ampliações devem ficar a cargo do Legislativo, não do Judiciário. A posição está alinhada a pareceres da AGU sobre o tema.

A sabatina deve exigir autonomia do indicado, questionando não apenas fundamentação jurídica, mas também distanciamento de sua atuação anterior no Executivo. A sessão está prevista para a manhã desta quarta, com votação no plenário do Senado caso passe pela CCJ.

Caso seja aprovado na CCJ, o nome segue para votação no plenário no mesmo dia. A sabatina é vista como teste de independência institucional diante de disputas entre poderes, com forte acompanhamento público.

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