- Davi Alcolumbre mirou reaproximação com o grupo de Flávio Bolsonaro ao compor estratégia para rejeitar a indicação de Jorge Messias ao STF.
- A vitória contra Messias ocorreu na quarta-feira, 29 de abril, com 42 votos a 34, uma derrota histórica para o governo Lula.
- Parlamentares da oposição dizem que Alcolumbre voltou a falar com aliados, buscando sustentar pontes após pressões do bolsonarismo e da CPI do Banco Master.
- No dia seguinte, 30 de abril, Alcolumbre presidiu a sessão que derrubou o veto presidencial a projeto que diminui penas de crimes cometidos em 8 de janeiro de 2023, gesto visto como apoio à oposição.
- A reeleição dele para o comando do Senado em 2027 é apontada como principal motivação para a aproximação, com nomes como Rogério Marinho e Tereza Cristina cogitados como alternativas ao atual presidente.
Davi Alcolumbre, presidente do Senado, articulou uma aproximação com o grupo de Flávio Bolsonaro para derrotar a indicação de Jorge Messias ao STF, apresentada por Lula. A estratégica envolve fortalecer interlocuções com o Centrão enquanto busca garantir fidelidade de aliados para votações relevantes. A atuação é vista como tentativa de recompor pontes políticas após pressões de bolsonaristas.
Senadores da oposição indicam que mudanças recentes no contato com Alcolumbre sinalizam uma reacomodação entre as bases pró e anti ao governo federal. O objetivo, segundo aliados, é retomar influências que haviam se desgastado pela cobrança de uma CPI para apurar fraudes no Banco Master e pedidos de impeachment contra ministros do STF.
Na quarta-feira (29), a indicação de Messias foi derrotada no plenário por 42 votos a 34, ficando sete votos abaixo do necessário para aprovação. A leitura é de que houve combinação entre lideranças do Centrão e do bloco oposicionista para articular a derrota, com a ideia de preservar votações futuras ao gosto de cada grupo.
No dia seguinte (30), Alcolumbre presidiu a sessão conjunta do Congresso que derrubou o veto do Executivo a uma lei que reduz penas de condenados por atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O movimento é visto como gesto de aproximação com a oposição, sem alterar o foco da estratégia maior.
Reeleição em 2027 é apontada como fator central para a postura de Alcolumbre. Nomes como Rogério Marinho, líder da oposição no Senado, e Tereza Cristina, líder do PP, aparecem como potenciais substitutos para a chefia da Casa. A avaliação é de que Alcolumbre pode buscar manter influência caso perca força na disputa interna em 2027.
Tereza Cristina, em entrevista à GloboNews, sinalizou interesse em disputar a presidência do Senado no próximo ano, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo, conforme avaliação de pessoas próximas. A possível mudança de liderança ocorre em meio à resistência a pautas consideradas caras para esse grupo, como uma anistia ampla aos responsabilizados pelos eventos de 8 de janeiro.
Para convencer indecisos a votar contra Messias, houve relatos de que Alcolumbre prometeu não avançar com indicações ao STF antes do fim das eleições de 2026. A promessa permitiria ao vencedor da eleição presidencial indicar o substituto de Luís Roberto Barroso na Corte, segundo o apurado pelo Valor.
Parlamentares também destacam a insatisfação de Alcolumbre com vazamentos de operações da Polícia Federal no Amapá, que investigam aliados dele por suposto envolvimento com aquisição de papéis fraudados do Banco Master pela Amprev. A assessoria do presidente do Senado não comentou o assunto.
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