- O PL avalia lançar Eduardo Bolsonaro ao Senado por São Paulo, mesmo ele cassado por faltas, possivelmente como suplente.
- Eduardo, deputado federal mais votado em 2018, perdeu o mandato por não comparecer às sessões e por se mudar para o exterior; dados de 2025 indicam zero projeto de autoria própria, 11 votações e um discurso no plenário, além de usar R$ 67.995 em cota parlamentar e R$ 1,5 milhão em verba de gabinete.
- A viabilidade jurídica da candidatura é questionada, já que ele está fora do país, em chapa liderada pelo atual presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado, com apoio do governador Tarcísio de Freitas.
- O caso evidencia uma distorção entre mandato e responsabilidade: antes, ausência ou baixo desempenho normalmente inviabilizavam candidaturas; hoje, o mecanismo de suplência é visto como solução prática.
- Mesmo sem liderança, o nome de Eduardo já funciona como atrativo eleitoral, refletindo uma tendência de liberar candidaturas sob justificativa política, sem sanar o problema de fundo.
A conjuntura política brasileira vive uma disputa que questiona a relação entre mandato e desempenho. O Partido Liberal (PL) articula a candidatura de Eduardo Bolsonaro ao Senado por São Paulo, mesmo que como suplente, destacando uma tendência de reduzir a importância das entregas do mandato para a vida pública. O movimento ocorre em meio a cassação de Eduardo por faltas, tema que volta à tona com o pacote de alianças.
Eduardo, que foi o deputado federal mais votado do Brasil em 2018, com 1,84 milhão de votos, perdeu o mandato ao deixar de comparecer a sessões e não cumprir exigências regimentais após mudar-se para o exterior. Dados da Câmara dos Deputados indicam que, em 2025, ele não apresentou projetos de autoria própria, participou de 11 votações e proferiu apenas um discurso em plenário.
Em termos de gastos, a atuação recente contrasta com o peso do seu lastro eleitoral. Ainda segundo a Câmara, foram utilizados R$ 67.995 em cota parlamentar e R$ 1,5 milhão em verba de gabinete. Esses números alimentam o debate sobre o que se entende por responsabilidade no exercício do mandato.
Viés político e viabilidade
O PL discute indicar Eduardo como suplente na chapa ao Senado encabeçada pelo presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), alinhada ao projeto político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A viabilidade jurídica da candidatura, neste momento, também é objeto de análise, especialmente por Eduardo estar no exterior.
A discussão não envolve apenas o caso individual. O tema aponta para uma tendência de dissociação entre mandato e responsabilidade, em que ausência e baixo desempenho podem não inviabilizar novas candidaturas. A mudança de críticas para uma leitura mais permissiva é tema de debate entre representantes do próprio grupo.
Estratégia e impacto
Mesmo sem estar à frente da chapa, a presença de Eduardo na composição tem efeito eleitoral relevante, segundo analistas. O nome dele, vinculado a uma base mobilizada, pode atuar como atrativo de votos, independentemente do histórico recente no plenário.
Para aliados, o uso da figura de suplente funciona como caminho para evitar custos políticos imediatos de uma candidatura, mantendo a viabilidade eleitoral. Contudo, especialistas ressaltam que a prática não altera a substância do problema nem seus efeitos a longo prazo.
Essas dinâmicas revelam que, na prática, a aplicação de critérios de desempenho pode ganhar menos peso frente a estratégias de composição e de governabilidade. O tema permanece sob escrutínio, com desdobramentos que podem influenciar futuras escolhas de alianças e candidaturas no cenário paulista.
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