- Fernando Morais afirma que Lula saiu da prisão melhor do que entrou, após 581 dias em Curitiba, com visão antiimperialista mais clara e compreensão da luta de classes.
- O ex-preso não pediu perdão nem anistia, entrou pela porta da frente e saiu pela mesma porta, associando a experiência a leitura intensiva e debates com visitas.
- Durante a detenção, Lula passou a discutir com maior profundidade o mundo e ganhou protagonismo de Janja, que deixou a Itaipu e passou a frequentar a carceragem semanalmente.
- Em novembro de 2019, o Supremo Tribunal Federal decidiu que réus condenados em segunda instância não poderiam ser presos antes do esgotamento de recursos, e Lula foi solto.
- Em 2021, Fachin anulou as condenações da 13ª Vara Federal de Curitiba, direitos políticos foram restabelecidos e Lula venceu a eleição de 2022, com o período de prisão considerado determinante para sua posse em 2023.
O biógrafo Fernando Morais afirma que a passagem de 581 dias de Lula na prisão de Curitiba, entre 2018 e 2019, gerou uma transformação profunda no jeito de ver o mundo. Morais acompanhou o ex-presidente em viagens, no Instituto Lula e nos bastidores do impeachment de Dilma Rousseff. A obra reúne três volumes e sustenta que o cárcere terá sido decisivo para o personagem público que surgiu após esse período.
Segundo Morais, Lula não encarou o confinamento como derrota. O ex-presidente entrou na prisão pela frente e saiu pela mesma porta, sem pedir clemência. O impacto, na leitura do biógrafo, foi a formação de uma visão antiimperialista mais nítida e uma compreensão ampliada de lutas de classe.
A rotina na cadeia incluiu leitura intensa e visitas frequentes que alimentavam o debate interno. O biógrafo aponta que o intelectual Lula ampliou o repertório político ao dialogar com pessoas que o visitavam e ao ler obras que antes não havia explorado com profundidade.
Durante o período, Janja, futura convivente de Lula, deixou a Itaipu para permanecer na carceragem após o fechamento do escritório local, sob a gestão do general Joaquim Silva e Luna, na época à frente da estatal. A presença de Janja ganhou protagonismo nos corredores do local.
O período foi marcado por perdas pessoais, como a morte do neto Arthur, em 2019, e por correspondências com figuras religiosas de peso, incluindo o papa Francisco, que manifestou solidariedade diante das dificuldades vividas.
Em novembro de 2019, o STF decidiu que réus condenados em segunda instância não poderiam ser presos até o esgotamento de recursos. Lula foi solto após a decisão, encerrando temporariamente a detenção em Curitiba.
Em 2021, Fachin anulou condenações anteriores, afirmando incompetência do juízo de Curitiba e restabelecendo os direitos políticos de Lula. O biografado passou a disputar as eleições de 2022 e, em 2023, tomou posse como presidente, como apontado pela análise de Morais.
Para o biógrafo, o período de cárcere foi determinante para moldar a figura pública que assumiu a chefia do Executivo. A obra de Morais sustenta que as experiências vividas no isolamento contribuíram para uma visão mais clara da política interna e externa.
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