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Audiovisual enfrenta a maldição de Sísifo

Comitê gestor define recursos para 2026, mantendo foco em distribuidores e ampliando o distanciamento de produtores e realizadores no cinema brasileiro

Fachada da sede da Ancine (Agência Nacional de Cinema), em Brasília - Gabriela Biló - 11.abr.24/Folhapress
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  • Em março, o Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual definiu a distribuição de recursos para o exercício de 2026 durante reunião presidida pela ministra da Cultura, Margareth Menezes.
  • A ausência de realizadores no comitê manteve o viés de privilegiar distribuidores, em detrimento de produtores e realizadores.
  • O cinema brasileiro continua concentrando entre 10% e 15% das produções exibidas nas salas, cenário que se estende há mais de quinze anos.
  • Defende-se aprofundar o estudo sobre o direcionamento de recursos, o quadro legislativo e fiscal, com uma visão de longo prazo, em busca de definição estratégica para a indústria.
  • A comparação com a França mostra que públicos maiores ajudam, mas o Brasil ainda precisa de um volume maior de recursos públicos para ampliar a capacidade de produção de filmes campeões nacionais, segundo a análise.

No final de março, o Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual definiu a distribuição de recursos para 2026. O encontro foi conduzido pela ministra da Cultura, Margareth Menezes. O objetivo é nortejar o investimento público no cinema nacional.

Segundo apurações, o encaminhamento dos recursos seguiu um viés já observado nos últimos anos, priorizando distribuidores em detrimento de produtores e realizadores. Críticos afirmam que esse padrão não tem proporcionado maior visibilidade aos filmes brasileiros.

Dados históricos ajudam a entender o retrato atual: há mais de 15 anos, a capitalização dos distribuidores não abriu espaço suficiente para aumentar a participação nacional nas salas. Hoje, o cinema brasileiro permanece em cerca de 10% a 15% do total de produções exibidas.

A avaliação é de que o modelo atual não contempla uma estratégia de longo prazo para a indústria. A ausência de definições claras favorece influências de lobbies e cria um cenário de disputa entre setores do audiovisual.

Em comparação internacional, há relatos de que políticas de campeões nacionais, quando combinadas a volumes maiores de recursos, proporcionam maior estabilidade. Na França, por exemplo, o setor recebe suporte público significativamente superior, refletindo em maior escala de projetos e royalties para o mercado.

Especialistas dizem que o país precisa avançar na compreensão de direcionamentos orçamentários, marco regulatório e fiscal, para consolidar um ritmo sustentável de crescimento. Enquanto isso, o audiovisual brasileiro segue enfrentando déficits de visibilidade e de planejamento estratégico.

A discussão continua entre representantes da cadeia produtiva, governo e público, com o objetivo de reduzir a dependência de financiamento de distribuidores e ampliar a participação de produtores, realizadores e distribuidores de cinema brasileiro.

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