- O presidente do TST, Vieira de Mello Filho, e o ministro Ives Gandra Martins Filho protagonizaram bate-boca durante a sessão do Órgão Especial, discutindo a ideia de juízes “vermelhos” e “azuis”.
- Mello afirmou ter reagido a slides de um curso sobre como advogar no TST que classificavam magistrados por cores, dizendo defender a instituição e não eventos pagos.
- Gandra admitiu ter utilizado a dicotomia entre atuação “legalista” e “ativista” para avaliar colegas, mas afirmou que não há uma divisão oficial no tribunal.
- O presidente ironizou a divisão, dizendo ser “cor de rosa” e defendendo que o tribunal é plural, sem rótulos, questionando quem tem o direito de rotular.
- A tensão incluiu indignação com uma comparação ao Terceiro Reich; Gandra explicou que usou a referência apenas como metáfora, e Mello anunciou envio de ofício para exigir maior transparência sobre afastamentos para palestras.
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Vieira de Mello Filho, e o ministro Ives Gandra Martins Filho protagonizaram um confronto durante a sessão de segunda-feira, 4 de março. A tensão teve como pano de fundo a leitura de slides que classificavam magistrados por cores, o que levou o presidente a questionar o uso de rótulos no tribunal. O episódio ocorreu em Brasília, durante a abertura da sessão do Órgão Especial.
Mello afirmou ter reagido ao ver materiais apresentados em um curso sobre como advogar no TST que atribuía cores aos integrantes da corte. O presidente ressaltou que não participa de eventos pagos e afirmou defender a instituição, diante de relatos de que haveria conflito ético. O curso foi organizado pelo vice-presidente do TST, Guilherme Caputo Bastos, segundo ele.
Gandra reconheceu que houve a classificação de atuação entre ministros, destacando que não é possível ignorar a existência de atuação mais legalista ou mais ativista no tribunal. O ministro negou, porém, que tal dicotomia represente uma avaliação moral sobre colegas. A tensão aumentou quando o presidente do TST citou o debate como resultado de uma polarização interna.
Divergência sobre rótulos gera reação
Mello reforçou que o tribunal sempre lidou com divergências sem rótulos e afirmou não ter criado a classificação entre ministros. Ele disse enxergar a comunicação pública de forma diferente, chegando a se autodefinir como cor de rosa para sinalizar neutralidade. A pergunta central foi sobre a legitimidade de rotular colegas e a necessidade de transparência no funcionamento da Corte.
Indignação surgiu em um momento em que Lelio Bentes expressou forte desconforto com uma comparação feita entre o funcionamento interno do TST e o Terceiro Reich. Bentes afirmou que tal comparação seria inadequada e ofensiva, sem justificativa histórica. Ives Gandra explicou que usou apenas uma referência bibliográfica como metáfora para descrever a busca por transparência nos bastidores.
Peduzzi destacou que todos atuam pela Justiça e que não há evidência de envolvimento com interesses pessoais. Ela defendeu que não há necessidade de repreensão entre colegas e ressaltou o objetivo comum de aplicar a lei. Ao final, Mello afirmou que esclarecerá os fatos e reiterou a oposição a rótulos, anunciando que enviará um ofício aos pares para exigir maior transparência em pedidos de afastamento para palestras, com informações sobre locais e remuneração.
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