- Relator Arnaldo Jardim apresentou o relatório final do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, em regime de urgência; leitura em plenário está prevista para amanhã e votação até quarta.
- O projeto institui o Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE), com poder de veto sobre operações que afetem a soberania nacional, incluindo mudanças societárias, acordos internacionais e venda de ativos estratégicos.
- O Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM) terá até 5 bilhões de reais, com participação da União em até 2 bilhões de reais.
- Cria o Certificado de Mineração de Baixo Carbono (CMBC), selo voluntário ligado a padrões internacionais de redução de emissões e ao CBAM da União Europeia.
- Prevê investimentos obrigatórios em pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D) e no FGAM, além de criar a Rede Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Formação Profissional; há crédito fiscal e incentivos para a cadeia mineral, condicionados a requisitos socioeconômicos e ambientais.
O relator do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), apresentou nesta segunda-feira na Câmara o relatório final. O parecer tramita em regime de urgência e propõe a criação de um Conselho Especial com poderes de veto, além de um Fundo Garantidor da Atividade Mineral de até 5 bilhões de reais.
O objetivo é definir quais minerais entram no listado de críticos e estratégicos e estabelecer regras para operações que possam afetar a soberania nacional. O texto também prevê instrumentos para acompanhar mudanças societárias, acordos internacionais e venda de ativos relevantes, com capacidade de barrar ações consideradas prejudiciais ao Brasil.
O momento foi acelerado pela expectativa em relação à viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, para reunião com o ex-presidente Donald Trump. A ideia é ter um marco regulatório pronto antes do encontro, para embasar eventuais acordos sobre minerais críticos.
O texto original sustenta que a ausência de um marco regulatório poderia prejudicar as negociações com os EUA. Por isso, a leitura do relatório está prevista para ocorrer já na manhã de terça-feira (5), com votação organizada para ocorrer até quarta (6).
Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos
O documento propõe a criação do CMCE, órgão responsável por definir minerais críticos e estratégicos, com revisão a cada quatro anos. Além disso, o CMCE poderá aprovar ou vetar mudanças societárias, acordos internacionais e venda de ativos estratégicos, quando identificadas ameaças à soberania nacional.
Como exemplo, o relator citou operações recentes envolvendo empresas brasileiras de terras raras e aquisições por companhias estrangeiras, que, se avaliadas sob o CMCE, poderiam sofrer veto em futuras transações semelhantes.
Minerais críticos e estratégicos
Minerais críticos costumam ser essenciais para produção econômica e tecnológica, com risco de escassez, como o lítio. Minerais estratégicos estão ligados a segurança e soberania, entre eles o urânio, utilizado em usinas nucleares e no programa da Marinha.
Certificado Verde e Fundo de Atividade Mineral
O relatório também cria o Certificado de Mineração de Baixo Carbono, um selo voluntário que atesta padrões internacionais de redução de emissões. O certificado se mostra alinhado a mecanismos como o CBAM europeu.
O Fundo Garantidor da Atividade Mineral terá natureza privada, com aporte da União de até 2 bilhões de reais, somando até 5 bilhões de reais. O objetivo é oferecer cobertura de risco de crédito a projetos do setor.
Pesquisa, desenvolvimento e benefícios fiscais
O texto exige investimentos mínimos em P&D e na integralização do FGAM por parte de empresas nacionais e estrangeiras, com percentuais que variam ao longo de seis anos. Também prevê a criação da RNMCE, rede de apoio científico e formação profissional.
Crédito incentivado e incentivos à cadeia
O PFMCE permitirá crédito fiscal de até 20% sobre gastos com atividades da cadeia de minerais críticos, condicionado a contratos de pelo menos cinco anos e à implementação de projetos que agreguem valor, como itens para baterias, ímãs e fertilizantes. Debêntures incentivadas e Regime Especial de Incentivos à Infraestrutura também são previstos.
Cadastro Nacional
Por fim, o CNMCE deverá consolidar dados de projetos em um registro único, integrando informações de diferentes esferas federativas. A medida busca evitar operações exploratórias sem autorização prévia da União, como ocorreu em acordos isolados em estados específicos.
Fontes citadas indicam que o objetivo é equilibrar desenvolvimento econômico, inovação e proteção ambiental, mantendo o Brasil alinhado a padrões internacionais sem comprometer sua soberania. A tramitação segue com votação prevista ainda nesta semana.
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