- Acervo do coronel Cyro Etchegoyen, com cerca de 3.000 páginas, foi mantido em sigilo até a sua morte em dois mil e doze e envolve documentos que apontam pressão para novas apurações sobre crimes da ditadura.
- As informações destacam colaboração britânica durante o regime, incluindo técnicas de tortura aprendidas por militares brasileiros.
- O material reúne o “Relatório do Estágio de Informações na Inglaterra”, que descreve estágio de quatro militares no Reino Unido em dois períodos de sessenta e onze anos, com instruções sobre métodos de interrogatório e tormento.
- Entre as revelações estão novos relatos de violência, incluindo o estupro de uma vendedora de joias durante a ditadura, além de casos de abuso praticado por integrantes das Forças Armadas em operações de repressão.
- Especialistas defendem a abertura dos arquivos das Forças Armadas e destacam a necessidade de esclarecer enigmas além da Comissão Nacional da Verdade, apontando falhas na continuidade de apurações oficiais.
O acervo do coronel Cyro Etchegoyen,esta associado à ditadura brasileira, reúne 3.000 páginas em 23 pastas, mantidas em sigilo até 2012 e depois liberadas. Os documentos indicam cooperação britânica e novos relatos de crimes cometidos por militares.
Entre os papéis, há o “Relatório do Estágio de Informações na Inglaterra”, com a participação de quatro militares em 1970-1970, a convite do governo britânico. O material descreve técnicas de interrogatório aprendidas no exterior.
Os registros apontam ainda para a criação da Casa da Morte, em Petrópolis, dias após o estágio. O acervo menciona novas vítimas, além de casos de violência sexual contra opositores.
Cooperação britânica e métodos de tortura
Segundo o material, os militares brasileiros teriam adotado técnicas ensinadas pelo MI-5. As orientações incluíam privação de luz, ruídos insistentes e controle de horário das refeições. Há também referências à prática de manter o sequestrado de pés levantados e ao uso de um capuz.
O conjunto documental ressalta que as técnicas teriam sido adaptadas para uso interno, com o objetivo de extrair informações de opositores e acompanhar atividades de resistência.
Outros relatos e pedidos de apuração
O acervo traz ainda o caso da vendedora Marilene dos Santos Mello, sequestrada em 1969 e violentada em locais vinculados à repressão. Também há menção a relatos de roubo de itens em diligências realizadas por militares.
Historiadores enfatizam a necessidade de abrir os arquivos das Forças Armadas para esclarecer crimes cometidos durante o regime. A pauta envolve a continuidade de investigações e a cobrança por transparência sobre documentos remanescentes.
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