- A Polícia Federal afirma que o deputado Thiago Rangel, do Avante, ameaçou um crítico após críticas na rede social, mencionando o envio de uma “surpresa” e que “depois de 12 tiros no portão o recado está dado”.
- A prisão ocorreu na Operação Unha e Carne, a mesma que já havia prendido Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, e teve respaldo em decisões do STF.
- A PF aponta diálogos em que aliados discutem ações contra adversários, incluindo a possibilidade de emboscada e de simular ataque para forçar saída de alguém.
- O grupo é descrito como liderado por Rangel, com influência sobre nomeações e contratos públicos na educação, incluindo direcionamento de obras em escolas estaduais com desvios de parte dos recursos.
- Há indícios de financiamento eleitoral irregular, com cerca de R$ 2,9 milhões usados na campanha da vereadora Thamires Rangel e de outros candidatos ligados à base do deputado, segundo a investigação.
A Polícia Federal apontou que o deputado Thiago Rangel, do Avante, ameaçou um crítico após uma postagem em rede social. Em mensagens interceptadas, ele pediu o endereço do autor e mencionou enviar uma “surpresa” e que, após 12 tiros no portão, o recado estaria dado. A prisão faz parte da Operação Unha e Carne, que já prendeu o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar.
Segundo a PF, as comunicações revelam tentativas de intimidação contra opositores e indicam um padrão de atuação do grupo ao qual o parlamentar está ligado. Em diálogos, aliados discutem ações contra adversários e chegam a mencionar emboscadas. Rangel é apontado como líder do grupo, com influência sobre nomeações.
A investigação aponta uso de recursos públicos para favorecer empresas ligadas ao esquema e suposto desvio de parte dos pagamentos. A secretaria estadual de Educação afirma que está revisando procedimentos de obras, com regras de valores diferentes para pequenos reparos e obras de maior porte, sob responsabilidade da Emop-RJ.
Fraudes em contratos da educação
Os investigadores apontam direcionamento de obras em escolas estaduais a empresas previamente escolhidas, com desvio de parte dos valores repassados aos integrantes do grupo. A PF sustenta que a ausência de transparência na pasta facilitava as ações.
A secretaria de Educação disse que coopera com o Ministério Público e o TCE, e que instituiu controle sobre contratos de manutenção, além de auditar procedimentos de obras. O órgão informou que trabalha com teto para pequenos reparos e transferencia de responsabilidades para obras maiores.
Dinheiro vivo e operações financeiras
Entre os indícios, há menções a movimentações em dinheiro vivo envolvendo um operador financeiro do grupo. Diálogos citam saques para empréstimos de valores, seguidos de envio de imagens de maços de dinheiro com a indicação de estar “guardado”.
A PF aponta uso de operadores e empresas em nomes de terceiros para ocultar a origem de recursos. O documento detalha a atuação para manter repasses ao parlamentar e aos aliados.
Ligação com o grupo político
O relatório aponta relação entre Rangel e o núcleo político ligado ao ex-presidente da Alerj Bacellar, com indícios de coordenação para distribuir influência sobre contratos públicos, especialmente na educação. Bacellar foi preso em duas ocasiões no RJ nos últimos meses.
A fala sobre o papel de Rangel na gestão pública é fortalecida por registros de indicação de aliados para cargos estratégicos, com o objetivo de facilitar o direcionamento de contratos.
O que diz a defesa
A defesa afirmou ter sido surpreendida pela operação e disse que Rangel nega qualquer ilícito. Os advogados ressaltaram que o deputado tem histórico público pautado pela ética e que o andamento do caso deve respeitar o acesso integral aos elementos da investigação.
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