- O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso pela Polícia Federal por suspeitas de superfaturamento em obras de escolas estaduais do Rio de Janeiro, ligado a um esquema na Secretaria de Educação.
- A investigação aponta que até R$ 2,9 milhões em caixa dois teriam sido prometidos para financiar campanhas de aliados do grupo político de Rangel.
- Rodrigo Bacellar e TH Joias já tinham sido presos anteriormente; Bacellar era ex-presidente da Alerj e TH Joias era ligado a lavagem de dinheiro do Comando Vermelho.
- A PF identificou que a cúpula da Secretaria de Educação centralizava cotações e pressionava unidades de ensino a contratar empresas de fachada, com reformas pequenas virando grandes para justificar o desvio.
- A operação, chamada “Unha e Carne”, envolve também familiares de autoridades e aponta movimentação de recursos para o grupo político próximo a Cláudio Castro; a delays na eleição indireta para o governo estão sob avaliação no STF.
O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso pela Polícia Federal no Rio de Janeiro, sob suspeita de chefiar esquema de superfaturamento em obras de escolas estaduais. A ação envolve desvios de recursos da Secretaria de Educação do estado. A investigação aponta possível caixa dois para campanhas ligadas ao grupo do parlamentar.
A ordem de prisão foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e abrange outras seis pessoas. Além de Rangel, já foram detidos Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, e TH Joias, preso em outra etapa da operação. A PF investiga pagamentos e contratos suspeitos na pasta.
A operação, denominada Unha e Carne, aponta aumento expressivo de gastos com reformas. Transfers de verbas passaram de cerca de 60 milhões por ano, até 2018, para 630 milhões em 2024, segundo dados da PF. Cotas de preço e contratos com empresas de fachada aparecem entre os indícios.
Entre os casos citados estão contratos da empresa Flademma, com sede em imóvel residencial, que recebeu 7,7 milhões em nove contratos. Outro caso envolve a Atec, ligada ao filho de uma subsecretária de Educação, com 11,4 milhões repassados. Os investigadores suspeitam de superfaturamento para justificar pagamentos fora da norma.
Poucos dias antes da prisão, a filha de Rangel, Thamires Rangel (PMB), vereadora de Campos dos Goytacazes, foi exonerada da Subsecretaria Adjunta de Conscientização Ambiental, ligada à Secretaria de Ambiente. A relação entre o núcleo político e a operação é tema de apuração.
Os investigadores associam o esquema ao funcionamento da cúpula da Secretaria de Educação. Relatórios do Coaf indicam uso de empresas de fachada para movimentar recursos e sacar altas quantias em dinheiro vivo. Um registro aponta saques de 4 milhões no fim de 2024, com quase 3 milhões em dinheiro vivo.
A PF chegou a Rangel por meio de uma planilha encontrada no computador de Bacellar, que detalha distribuição de cargos em troca de votos no Legislativo. Moraes descreveu a operação como potencial instrumentalização da secretaria para objetivos ilícitos ligados ao crime organizado.
Rangel, Bacellar e TH Joias faziam parte do mesmo grupo político do ex-governador Cláudio Castro e do atual presidente da Alerj, Douglas Ruas. Com as detenções, o grupo enfrenta mudanças na linha de sucessão e no comando político do estado.
Até o momento, o governo estadual está sob gestão interina do desembargador Ricardo Couto, que substitui o governador. O cenário político permanece sob avaliação de autoridades do STF e do TSE, com decisões em andamento sobre elegibilidade e eventual continuidade de lideranças.
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