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IBGE lança levantamento sobre população de rua para políticas públicas

IBGE lança o 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua para mapear distribuição e perfis e embasar políticas até 2028

A relação da sociedade com populações vulneráveis deve ser levada em consideração – Foto: jcomp/Magnific
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  • O IBGE anunciou a criação do 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua, com previsão de realização em 2028.
  • O objetivo é mapear a situação, identificar regiões com maior vulnerabilidade e buscar soluções para reduzir o número de pessoas vivendo nas ruas.
  • Especialistas destacam que o censo vai revelar distribuição territorial, perfil sociodemográfico e condições de vida, além de compreender como essa população se desloca pelo país.
  • A demora para criar o censo é atribuída a desafios orçamentários e metodológicos, em meio a uma crise de desfinanciamento do IBGE; o Censo de 2020 também teve atraso.
  • Sobre políticas públicas, há reconhecimento de que são insuficientes e fragmentadas, com debates entre priorizar moradia (Housing First) ou uma rede ampliada de serviços e integração territorial.

Nos dias 27, 28 e 30 de abril, o IBGE anunciou a criação do 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua, com foco no mapeamento da população pelo Brasil. O objetivo é identificar regiões com maior vulnerabilidade e buscar caminhos para reduzir o total de pessoas nessas condições, com previsão de realização em 2028.

Segundo especialistas ouvidos, o Censo pode revelar informações inéditas sobre distribuição territorial, perfil sociodemográfico e condições de vida dessa população. A abordagem poderá mostrar como pessoas em situação de rua ocupam espaços e se desdobram na cidade.

A senhora Fraya Frehse, pesquisadora da USP, ressalta que o inventário permitirá entender a espacialização da população ao longo de diferentes cenários do país. Ela destaca que o método enfrentará dificuldades próprias de mensurar a moradia sem o domicílio tradicional.

Ela aponta que o levantamento trará uma visão integrada das diversidades regionais. Cidades com características distintas, como áreas rurais ou florestais, poderão ser comparadas de forma conjunta pela primeira vez.

Desafios de implementação

Renata Bichir, também professora da USP, comenta que o atraso de projetos anteriores deveu-se a limitações orçamentárias e metodológicas. Segundo ela, o custo de uma pesquisa desta natureza é relevante e exige recursos adequados.

Ela cita a necessidade de trabalho em horários distintos, já que a população em situação de rua circula entre locais de dia e de noite. Treinamento específico de equipes é outro ponto destacado pela pesquisadora.

Função e impactos das políticas públicas

Renata afirma que as políticas atuais são diversas, porém muitas vezes fragmentadas, exigindo continuidade e integração entre serviços. Ela cita redes de atendimento socioassistencial, abrigos, restaurantes populares e serviços de saúde.

A especialista frisa que a gestão deve considerar a diversidade de perfis entre as pessoas em situação de rua. Existem diferentes motivos que levam à condição de rua, incluindo situações transitórias e casos que requerem apoio de saúde mental.

Fraya ressalta que não há, no mundo, um Censo nacional dedicado exclusivamente a essa população. O Brasil, segundo ela, se aproxima de uma inovação ao conduzir esse recorte demográfico de forma sistemática.

Caminhos para o futuro

Segundo as entrevistas, a adoção de uma política pública eficaz depende de dados contínuos, previsibilidade orçamentária e cooperação entre diferentes esferas do governo. A integração entre serviços é apontada como chave para atender as necessidades diversas.

Especialistas destacam que a relação entre sociedade e populações vulneráveis demanda sensibilidade institucional, redução de estigmas e respeito aos direitos humanos, sem prejulgamentos ou julgamentos de valor.

Sob supervisão de Paulo Capuzzo e Cinderela Caldeira

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