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Milhões deixam de votar: especialistas apontam indiferença e desconfiança

Abstenção permanece em cerca de vinte por cento, com números absolutos crescendo desde 2014, influenciada pela desconfiança e pelo voto obrigatório

Taxa média de abstenção nas eleições no Brasil é de 20%, segundo o TSE
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  • A abstenção nas eleições gerais brasileiras ficou próxima de vinte por cento nas três últimas disputas, com números absolutos de ausentes em crescimento desde dois mil e quatorze (27,7 milhões no primeiro turno e 30,1 milhões no segundo) até 2022 (32,7 milhões no primeiro turno e 32,1 milhões no segundo).
  • Especialistas apontam que a desconfiança na política é a principal razão, aliada ao fato de o voto ser obrigatório.
  • Mesmo assim, o Brasil tem participação relativamente alta em comparação com democracias onde o voto é facultativo.
  • Além da desinteresse, há fatores logísticos que dificultam o voto em regiões vastas e menos assistidas.
  • Abstenção não justificada pode gerar multa e impedir emitir passaporte, carteira de identidade, participar de concursos públicos, renovar matrícula em instituições públicas e obter certidão de quitação eleitoral; o título pode ser cancelado depois de três eleições consecutivas.

A abstenção nas eleições gerais brasileiras ficou estável em torno de 20% nos últimos três pleitos, mas o número de eleitores ausentes aumentou desde 2014, segundo dados do TSE. A taxa, porém, não significa falta de participação absoluta.

Entre 2014 e 2022, o primeiro turno registrou 27,7 milhões de ausentes, crescendo para 32,7 milhões no primeiro turno de 2022. No segundo turno, o crescimento foi de 30,1 milhões para 32,1 milhões.

Para especialistas, o voto obrigatório ajuda a manter o comparecimento, mesmo diante de desconfianças. O dilema fica entre o policial de que muitos não desejam participar, e a necessidade de participação ampla para legitimar as eleições.

Fatores que influenciam

Desconfiança nas instituições e desinteresse político aparecem entre as principais explicações. A logística para votar em áreas remotas e de difícil deslocamento também é citada como empecilho relevante.

Panorama internacional

Analistas destacam que a participação brasileira é alta em comparação com democracias onde o voto é facultativo. A comparação com sistemas com voto opcional, como os EUA, é comum para contextualizar o índice de abstenção.

Papel do voto obrigatório

Alguns especialistas defendem que manter o voto obrigatório ajuda a assegurar participação, mesmo com ressalvas sobre engajamento cívico. A educação política contínua é apontada como desafio adicional.

Consequências da abstenção

A abstenção não justificada pode gerar multa eleitoral e restrições administrativas. Além de impedimentos para emissão de documentos, o título pode ser cancelado após três eleições seguidas.

Casos de irregularidade costumam exigir regularização via e-Título, Justifica ou presencialmente no dia da votação. O prazo para regularização após cada turno é de até 60 dias.

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