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Procurador eleitoral de SP afirma que crime organizado não se resolve em 2 meses

Procurador afirma que calendário eleitoral curto não resolve o crime organizado em dois meses; Ministério Público Eleitoral intensifica mapeamento e cooperação com a Polícia Federal

Da esquerda à direita: o procurador regional eleitoral titular de São Paulo, Paulo Traubemblatt; presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-SP, Ricardo Vila Porto, e o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), José Antônio Encinas Manfré, participam do III Congresso Paulista de Direito Eleitoral — Foto: Divulgação/TRE-SP
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  • O procurador regional eleitoral de São Paulo, Paulo Taubemblatt, afirmou que “não dá tempo de resolver o problema do crime organizado em dois meses”, defendendo atuação contínua de órgãos de controle e fiscalização nas eleições.
  • Taubemblatt detalhou medidas em curso para identificar a influência de facções criminosas no financiamento de campanhas e na ocupação de estruturas políticas locais.
  • A Procuradoria-Geral da República criou um grupo de trabalho nacional para mapear a presença do crime organizado nas eleições municipais e estaduais, com promotores eleitorais de todo o país consultados para relatos locais.
  • O grupo visa apoiar a coleta de dados estratégicos e manter contato com Gaeco e núcleos de inteligência dos Ministérios Públicos estaduais e federal; em São Paulo, há mais de quatrocentos promotores eleitorais atuando no mapeamento.
  • O procurador-geral da República, Paulo Gonet, informou, em Brasília, que o Ministério Público atuará para impedir a infiltração de organizações criminosas no processo eleitoral, com foco no financiamento e na promoção de candidaturas, ampliando a cooperação com a Polícia Federal.

O procurador regional eleitoral de São Paulo, Paulo Taubemblatt, afirmou que não há tempo suficiente para eliminar o crime organizado no curto espaço de dois meses do calendário eleitoral. A fala ocorreu durante o 3º Congresso Paulista de Direito Eleitoral, promovido pela OAB-SP, em São Paulo, onde discutiu ações de controle e fiscalização.

Taubemblatt explicou que há um conjunto de medidas em curso pelo Ministério Público Eleitoral e por outros órgãos para identificar a influência de facções criminosas no financiamento de campanhas e na ocupação de estruturas políticas locais. O objetivo é mapear, acompanhar e coibir possíveis abusos durante as eleições.

Ele mencionou a criação de um grupo de trabalho nacional pela PGR para mapear a presença do crime organizado nas eleições municipais e estaduais. Promotores eleitorais de todo o país devem contribuir com relatos sobre a atuação de facções, fortalecendo a cooperação com Gaeco e núcleos de inteligência dos MPs estaduais e federal.

O procurador citou que, em São Paulo, há mais de 430 promotores eleitorais atuando na identificação de sinais de domínio criminoso em diferentes regiões. O grupo também deverá coletar dados estratégicos e manter contato com forças de segurança para apurar esquemas de financiamento ilícito.

Ações e cooperação institucional

A iniciativa da PGR foi anunciada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, em reunião com procuradores regionais eleitorais, em Brasília. O objetivo é manter atuação firme e neutra para impedir a infiltração de organizações criminosas no processo eleitoral.

Gonet enfatizou que o grupo de trabalho dará suporte aos promotores na identificação de indícios de atuação do crime organizado na política e reforçará a cooperação com a Polícia Federal para rastrear financiamento ilícito de campanhas.

Taubemblatt destacou ainda que o combate ao crime organizado precisa respeitar os limites legais e processuais. Mesmo diante de pressões por respostas rápidas, a atuação deve seguir a legislação eleitoral e penal vigente.

Perspectivas da Justiça Eleitoral

O presidente do TRE-SP, José Antônio Encinas Manfré, afirmou que a Justiça Eleitoral atua para impedir a infiltração nas instituições públicas. O processo de registro de candidaturas pode ser indeferido em casos que apresentem indícios concretos de ligação com organizações criminosas.

Manfré ressaltou que o TSE tem adotado medidas para assegurar que o voto ocorra de forma livre, sem interferência ou intimidação promovida por facções. A atuação conjunta entre Legislativo, MP e Judiciário é apresentada como essencial para o enfrentamento do tema.

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