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Relatório aponta assassinato de JK pela ditadura, diz comissão

Relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos sustenta que Juscelino Kubitschek foi morto pelo Estado, não por acidente, com votação em curso

Carro onde estava Juscelino Kubitschek após choque contra uma carreta, em agosto de 1976
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  • A Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) afirma que Juscelino Kubitschek foi morto pela ditadura em 1976, não vítima de acidente de carro.
  • O relatório, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, está em análise pelos conselheiros e deve ser votado no próximo encontro.
  • A peça sustenta a revisão com base em investigações anteriores e no inquérito civil do Ministério Público Federal concluído em 2019, divulgado apenas em 2021.
  • A reabertura do caso não gera indenização automática, pois ocorreu após prazos legais; pode, porém, levar à retificação das certidões de óbito de Kubitschek e de Geraldo Ribeiro.
  • A aprovação depende de pelo menos cinco votos entre sete conselheiros; há resistência de representantes do Ministério Público Federal e do Ministério da Defesa.

A comissão responsável por mortos e desaparecidos políticos (CEMDP) analisa, há meses, o caso da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek. O relatório, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, sustenta que JK foi morto pela ditadura em 1976, e não vítima de um acidente de carro como apontado no passado.

A conclusão da pesquisadora está sendo discutida pelos conselheiros da CEMDP. A tramitação ocorreu após atraso na votação do documento, cujo dossiê tem mais de 5.000 páginas e anexos. A decisão deve sair no próximo encontro do grupo.

A CEMDP, criada por lei em 1995, atua para reconhecer mortes ou desaparecimentos decorrentes de atividade política entre 1961 e 1988, com foco em localizar corpos e orientar requerimentos de familiares. O colegiado recebe suporte técnico do Ministério dos Direitos Humanos.

Contexto histórico e evidências

A morte de JK ocorreu em 22 de agosto de 1976, em via Dutra, quando o Opala dirigido por Geraldo Ribeiro colidiu com uma carreta; Ribeiro também morreu. A versão oficial, mantida por investigações da ditadura, apontou choque com ônibus da Cometa como causa.

Relatórios de comissões estaduais da Verdade e de uma investigação do MPF também indicaram indícios de atentado ou sabotagem. Em especial, o MPF apontou falhas nas investigações e a impossibilidade de confirmar ou negar um atentado com base em laudos existentes.

O MPF contratou especialista para reavaliar os laudos de 1976 e 1996. O perito Sergio Ejzenberg contestou a ideia de colisão prévia com o ônibus, sugerindo inconsistências nos laudos do ICCE. O estudo reforça a leitura de que houve ação externa para provocar a morte.

Posicionamentos e próximos passos

O relatório de Maria Cecília Adão tende a sustentar a responsabilidade do Estado, com base na teoria de dúvida a favor da vítima. A aprovação depende de ao menos cinco votos entre sete conselheiros, com apoio de conselheiras e representantes do Legislativo.

Entre os obstáculos estão reservas de membros do Ministério Público Federal e do Ministério da Defesa. O atual presidente da CEMDP afirma prudência, citando riscos de contestação jurídica futura.

Caso aprovado, o documento pode levar à retificação de certidões de óbito de JK e de Geraldo Ribeiro, conforme acordos com o CNJ. A proposta não envolve indenização, pois a reabertura ocorreu fora dos prazos legais para requerimentos.

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