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Livro de Leneide Duarte-Plon sobre general que exportou tortura chega à França

Livro de Leneide Duarte-Plon ganha edição francesa ao apontar tortura como doutrina de Estado exportada pela França para a América do Sul

Depois de morar na França durante 24 anos, onde atuou como jornalista para jornais e revistas, Leneide Duarte-Plon retornou para o Rio de Janeiro em 2025.
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  • O livro A tortura como arma de guerra – da Argélia ao Brasil, de Leneide Duarte‑Plon, ganhou edição em francês pela editora L’Harmattan, após lançamento no Brasil em 2016 e publicação em árabe na Argélia no ano passado.
  • A obra defende que a tortura foi uma doutrina de Estado aplicada pela França na Guerra da Argélia (1954‑1962 e, posteriormente, exportada para ditaduras da América do Sul).
  • Entre as entrevistas, destaca‑se a do general francês Paul Aussaresses, que confirmou o papel pioneiro da França e mencionou a participação do Brasil no golpe que derrubou Salvador Allende.
  • Em 2018, Emmanuel Macron reconheceu crimes de Estado na Argélia e pediu desculpas em relação a casos como o de Maurice Audin, marco histórico citado na obra.
  • O livro ajuda a entender a circulação da violência entre países e aponta riscos para a democracia brasileira diante de debates sobre anistia e intervenção militar.

A edição francesa do livro A tortura como arma de guerra – da Argélia ao Brasil, de Leneide Duarte‑Plon, acaba de chegar às livrarias pela editora L’Harmattan. A obra original, lançada no Brasil em 2016, já tinha ido para o árabe e foi publicada na Argélia no ano passado. O estudo reúne documentos, entrevistas e pesquisa histórica para sustentar a tese de que a tortura foi uma doutrina de Estado, aplicada pela França na Guerra da Argélia e exportada para ditaduras da América do Sul.

Duarte‑Plon viveu em Paris por 24 anos, atuando como jornalista e colunista de veículos brasileiros. De lá saiu para dedicar-se a pesquisas sobre tortura como instrumento de repressão estatal, tema também explorado em outros trabalhos, como Um homem torturado, escrito em parceria. A autora retornou ao Brasil no ano passado.

O livro traz entrevistas com o general francês Paul Aussaresses, figura central do regime repressivo. Alors coronel, ele chefiou a repressão na Argélia e defendeu o uso de tortura, execuções sumárias e desaparecimentos. Aussaresses confirmou a atuação de decisões de governo brasileiro e a participação de autoridades na derrubada de regimes vizinhos.

RFI* aponta que a obra sustenta que a tortura não foi exceção, mas prática institucionalizada que se aperfeiçoou na Argélia e foi exportada para a América do Sul. O livro reproduz, segundo a autora, o eco dessa doutrina na Brasil, Chile e Argentina após 1964.

A autora afirma que, ao ver a atuação de Aussaresses, ficou claro que houve uma guerra civil entre brasileiros, segundo a leitura dele. O testemunho dele serviu para entender como as práticas de repressão se tornaram políticas de Estado.

Entre os motivos da demora francesa para publicar, Duarte‑Plon cita resistência inicial de editores. Em 2018, o presidente Emmanuel Macron reconheceu crimes cometidos durante a colonização na Argélia, incluindo tortura e desaparecimentos, abrindo espaço para debates históricos no país.

RFI ressalta que a França mantém o título da edição brasileira na capa, destacando a exportação dos esquadrões da morte. O gesto é visto pela autora como um avanço na reflexão histórica francesa sobre o colonialismo.

O livro chega em meio a debates eleitorais no Brasil, com atenção às funções das Forças Armadas na vida civil. A pesquisadora cita que a anistia manteve impunes crimes do passado, o que alimenta tensões políticas. Ao mesmo tempo, observa avanço da percepção pública de que a intervenção militar no poder civil é inaceitável.

RFI – Trecho final de entrevista com Duarte‑Plon aborda o impacto atual da discussão da violência do passado para a democracia brasileira, destacando a necessidade de tratá-la com base em fatos verificáveis e sem polarização. O registro histórico repete-se como instrumento de educação cívica.

Notas: RFI é referência nesta matéria; trechos foram adaptados para condizirem com o tom informativo do texto.

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