- No domingo, dez, a ativista iraniana Narges Mohammadi foi libertada sob fiança e levada às pressas a um hospital em Teerã por piora grave de saúde.
- Mohammadi é vencedora do Nobel da Paz de 2023; não estava em Oslo para receber o prêmio devido à prisão.
- A família afirmou que sua vida corre risco devido ao agravamento do estado de saúde; apoiadores divulgaram o alerta.
- Seus filhos gêmeos e o marido vivem no exílio em Paris; eles não veem a mãe há mais de uma década.
- Mohammadi já soma mais de dez anos de prisão ao longo de quase dezoito anos de condenações associadas a acusações de segurança nacional.
Narges Mohammadi, vencedora do Nobel da Paz em 2023, foi libertada sob fiança neste domingo e levada com urgência a um hospital de Teerã após agravamento grave do estado de saúde, segundo seus apoiadores. A ativista iraniana, de 54 anos, vinha cumprindo pena em prisão iraniana e já enfrentou diversos períodos de detenção por sua atuação contra a pena de morte e a obrigatoriedade do hijab.
Mohammadi estava em saída temporária da prisão quando foi novamente detida em dezembro, durante o funeral de um advogado morto em circunstâncias suspeitas. Em fevereiro, foi transferida para uma prisão em Zanjan, no norte, onde teria passado por dois infartos, segundo apoiadores.
A família da ativista é formada pelo marido, Taghi Rahmani, e pelos filhos gêmeos Ali e Kiana, hoje com 19 anos. Os jovens vivem no exílio em Paris e não veem a mãe há mais de uma década. O prêmio Nobel foi recebido pelos filhos e pelo marido, já que Mohammadi não estava presente em Oslo para a cerimônia.
Contexto do Nobel e atuação
A defesa da abolição da pena de morte e do fim da obrigatoriedade do hijab impulsionaram a atuação de Mohammadi ao longo de mais de duas décadas, com repetidas prisões. A premiação em 2023 destacou o custo pessoal de sua luta, segundo o comitê Nobel.
Mohammadi tem atuação ligada ao Centro de Defensores dos Direitos Humanos, fundado por Shirin Ebadi, e também escreveu sobre as condições de detenção no Irã em obras como White Torture. A Anistia Internacional a classifica como prisioneira de consciência.
Apesar da notoriedade internacional, a imprensa estatal iraniana e autoridades ligadas ao governo costumam tratar a ativista com cautela, atribuindo a Mohammadi acusações de instigar desordem. Seu histórico de lutas permanece como um dos marcos da resistência a restrições das liberdades no Irã.
Entre na conversa da comunidade