- Romeu Zema, pré-candidato do Novo, busca se posicionar à direita do espectro adotando um ultraliberalismo inspirado em Javier Milei, sem se vincular aos radicais do bolsonarismo.
- Defende privatizações importantes, incluindo Petrobras e Banco do Brasil, como parte de uma agenda de ajuste fiscal e redução de gastos públicos.
- Propõe uma economia com possível economia de até 10 trilhões de reais aos cofres públicos em duas décadas, via privatizações, reformas e revisão de benefícios sociais.
- Contesta propostas como a redução da jornada de trabalho 5×2, chamando-a de Populismo puro, e defende regime de remuneração variável semelhante aos Estados Unidos.
- Usa a simbologia de Milei nas redes, mas evita associar-se à extrema-direita; mira eleitores da centro-direita e busca ampliar visibilidade com críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal.
Na esteira dos sinais de Milei na Argentina, Romeu Zema, pré-candidato do Novo, intensifica o tom ultraliberal sem abrir mão da combatividade. A estratégia visa oferecer aos eleitores uma leitura de mudança econômica sem romper com o eleitor conservador.
Zema se inspira no estilo do presidente argentino para pautar o confronto com a elite pública e empresarial, identificada como responsável por privilégios. Em suas mensagens, ele evita a associação direta com radicais, mantendo o foco no combate às “mordomias do poder”.
Visibilidade e limites
Nos discursos, o ex-governador defende privatizações como eixo central, citando Petrobras e Banco do Brasil como alvos. Em vídeos, ele apresenta privatização como parte de um plano econômico, visando eficiência, poupança pública e crescimento.
Durante viagens pelo país, Zema apresenta um conjunto de propostas para um ajuste fiscal severo, com a ideia de economizar trilhões de reais em duas décadas. O plano inclui privatizações, reformas administrativas e previdenciárias, além de revisões em benefícios sociais.
Política trabalhista e comparação estrangeira
A proposta de modelos de trabalho com maior flexibilidade é defendida por Zema, que sugere contratos de 20 a 50 horas semanais. Em relação ao trabalho infantil, o ex-governador questiona a narrativa da esquerda sobre esse tema, gerando críticas entre adversários.
Analistas lembram que, no cenário atual, o ultraliberalismo de Zema pode atrair apenas parte do eleitorado à direita da direita. A centro-direita é apontada como o segmento com maior potencial de crescimento para a disputa de outubro.
Estratégia e desdobramentos
A campanha aposta em uma retórica de enfrentamento ao Supremo Tribunal Federal, ampliando a visibilidade nas redes com ataques a ministros. Embora gere repercussão, a equipe reconhece que o efeito nas pesquisas tende a ser limitado.
A comparação direta com Milei é vista como arriscada pela assessoria, dada a diferença de contextos entre Brasil e Argentina. Ainda assim, o simbolismo da figura argentina é utilizado para sustentar a narrativa de ruptura com o status quo.
Cenário eleitoral
Com perspectivas de segundo turno improváveis, o objetivo de Zema é ampliar o espaço na mídia e aumentar a projeção em cenários de centro e centro-direita. A meta é sair maior do que entrou, segundo integrantes da equipe de campanha.
Especialistas ressaltam que a atuação de Zema pode ampliar o debate público, ainda que não garanta impacto direto nas intenções de voto. A candidatura busca, assim, consolidar uma posição de direita liberal sem abrir mão da base conservadora.
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