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Por que pesquisas eleitorais às vezes erram

Especialistas afirmam que pesquisas refletem o momento, não o resultado final, e mudanças entre consulta e eleição explicam distâncias observadas

Um homem está em pé ao lado de uma barraca de rua que vende toalhas dos candidatos à presidência Luís Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro na Avenida Paulista, em 23 de setembro de 2022, em São Paulo, Brasil. A barraca exibe uma placa com o número de toalhas de cada candidato vendidas até o momento.
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  • Em agosto de 2022, pesquisas mostraram Lula com vantagem de cerca de 51–54% e Bolsonaro com 37–38%, mas as urnas deram a Lula 49% dos votos totais e Bolsonaro 47% (valor válido: 50,9% a 49,1%).
  • As sondagens capturam o retrato do momento, não funcionam como prognóstico definitivo do que acontecerá na urna.
  • O tamanho da amostra depende da margem de erro desejada: para 2% são necessárias cerca de 2.401 entrevistas, para 3% são 1.068, e para 1% chegam a 9.604, com nível de confiança de 95%.
  • A qualidade das pesquisas depende da coleta, uso de cotas e ponderação, além de fatores como coleta presencial, por telefone ou pela internet, que podem afetar a representatividade.
  • A decisão de voto dos indecisos, o momento de definição próximo à eleição e possíveis movimentos de última hora são itens relevantes para entender o desempenho das pesquisas.

A BBC News Brasil ouviu especialistas para entender por que pesquisas de intenção de voto “fotografam” o momento e, às vezes, não acompanham o resultado final. Parte do efeito ocorre porque as sondagens não prometem prever eleições, mas mapear pensamentos dos eleitores no instante da entrevista. Entre estratégias e limitações, as pesquisas ajudam a entender cenários, mas não garantem previsões.

Em 2022, pesquisas de Quaest e Datafolha mostravam Lula com vantagem expressiva sobre Bolsonaro no segundo turno. Nas urnas, Lula teve 49% dos votos totais; Bolsonaro, 47%. Ao considerar apenas votos válidos, a diferença ficou em 50,9% a 49,1%. A diferença apertada revela limitações das medições em momentos de alta volatilidade.

A ‘foto’ do momento e o ‘filme’ da eleição

O estatístico Rafael Nishimura explica que pesquisas capturam o que o eleitor pensa no momento, não o resultado final. O que parece, segundo ele, é que pesquisas bem feitas não erram nem acertam; apenas retratam o instante da entrevista. O tempo entre pesquisa e voto pode mudar tudo.

Segundo Luciana Chong, diretora do Datafolha, cada pesquisa compõe um pedaço de um episódio maior. Indecisos costumam decidir perto da eleição, o que explica variações entre levantamentos e o resultado. Casos anteriores mostraram que decisões de última hora influenciaram o pleito.

Como as pesquisas eleitorais são feitas

Antes de entrevistar, definem-se amostra e margem de erro. Para 2% de margem, por exemplo, são necessárias cerca de 2.401 entrevistas. Amostras maiores reduzem a margem de erro, porém elevam o custo. O nível de confiança costuma ser de 95%.

A seleção dos entrevistados costuma ocorrer por cotas, representando gênero, idade, instrução e, às vezes, renda. Dados de referência vêm do IBGE, como PNAD Contínua e Censo. A metodologia pode incluir coleta presencial, pontos de fluxo, telefone ou internet.

As limitações das pesquisas eleitorais

A forma de coleta influencia a qualidade. Pesquisas online costumam ter menor participação de eleitores com menor renda. Não resposta, erro de mensuração e o chamado eleitor envergonhado também podem distorcer resultados. Erros não amostrais, como comportamento do entrevistado, são difíceis de quantificar.

A ponderação final busca corrigir desequilíbrios, ajustando pesos de grupos. Ainda assim, a combinação de cotas, ponderação e variáveis utilizadas pode variar a confiabilidade entre estudos. Essencial é entender a construção de cada pesquisa.

Abrindo o capô das pesquisas

Entre métodos, Nishimura ressalta que a presencial domiciliar tende a aumentar a qualidade, seguido de entrevistas em pontos de fluxo. Pesquisas por telefone e pela internet apresentam riscos de viés de amostragem. A presença de cotas e a ponderação são vistas como o melhor formato, quando bem aplicadas.

Alguns institutos registram detalhes metodológicos no portal do TSE. Variáveis como gênero, faixa etária, região e renda costumam guiar as cotas e ajustes.

Do debate à decisão do voto

Pesquisas, mesmo que úteis, têm impacto limitado sobre a decisão de voto. Indecisos respondem a diversos fatores da campanha, como endossos locais, símbolos partidários e eventos públicos. A construção de uma imagem de força eleitoral pode influenciar a preferência, ainda que as pesquisas apontem outra tendência.

Perspectivas para 2026

Especialistas apontam que o cenário de 2026 deve permanecer competitivo, com alta rejeição aos pré-candidatos que lideram as pesquisas. O comportamento dos indecisos continuará sendo decisivo, e a leitura de tendências nas próximas votações deverá levar em conta mudanças de opinião próximas ao pleito.

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