- O estudo aponta 564 vítimas fatais entre civis e agentes, e 110 pessoas ficaram feridas durante os ataques de maio de 2006 em São Paulo.
- A maioria das mortes ocorreu nos dois primeiros dias de ataques; civis sofreram nos dias seguintes. Não foi possível determinar a data de 80 civis e de quatro agentes.
- Dos civis mortos, 96% eram homens e a idade média era de 27 anos; houve média de quase cinco tiros por vítima.
- O início oficial da crise foi em 11 de maio de 2006, com a transferência de 765 presos, incluindo a cúpula do PCC, para presídios do estado; rebeliões se dividiram entre 12 e 14 de maio.
- A partir de 14 de maio houve cessação dos ataques, seguida por retaliações de setores de segurança; entidades de direitos humanos apontam excessos e violações aos direitos.
Duas décadas após a maior crise de segurança pública de São Paulo, o conjunto de números sobre os Crimes de Maio de 2006 segue em investigação. O período de ataques, entre 12 e 21 de maio, teve origem na transferência de líderes do PCC para unidades de segurança máxima e na resposta do Estado. Ao todo, 564 pessoas morreram e 110 ficaram feridas, segundo estudo do Caaf da Unifesp em parceria com o LAV-Uerj.
O levantamento aponta que a maior parte das mortes de agentes ocorreu nos primeiros dois dias, enquanto as civis faleceram nas datas seguintes. Ainda não há data exata para 80 civis e 4 agentes. Entre as vítimas civis, 96% eram homens, com idade média de 27 anos, e houve uma média de quase cinco tiros por pessoa. A maioria das ocorrências ocorreu em regiões com alta letalidade, como cabeça e tórax.
Dados do estudo
A pesquisa contabiliza 564 vítimas fatais entre civis e agentes e 110 feridos. O recorte temporal abrange a evolução dos ataques, que chegaram a atingir 74 penitenciárias em rebeliões coordenadas a partir de 12 de maio. As ações nas ruas também visaram agentes públicos, delegacias e viaturas.
Contexto e desdobramentos
A transferência de 765 presos, incluindo a cúpula do PCC, para presídios no interior de SP é apontada como gatilho inicial. Promotores do Gaeco avaliam o episódio como uma das piores operações da história do estado, destacando falhas de coordenação e de inteligência. O governo reconheceu dificuldades em estimar o tamanho da facção na época.
Reação institucional e consequências
Com o recuo dos ataques a partir de 14 de maio, há relatos de negociações que teriam envolvido a participação de uma advogada do PCC para confirmar a condição de Marcola e encerrar as ações. A resposta posterior, sobretudo por policiais, gerou críticas quanto a violações de direitos, incluindo acusações de execuções sumárias e torturas, segundo organizações de direitos humanos.
Voz de familiares e organizações
Famílias de vítimas civis contestam a versão de confronto armado. Um movimento de mães de Maio acompanha casos de violência e denuncia negligência judicial, apontando que a história não foi contada apenas pelo Estado, mas também por quem perdeu filhos. As famílias pedem reconhecimento e apuração adequada dos fatos.
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