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Frente Ambientalista critica convite da Câmara a cientista dinamarquês

Frente Ambientalista contesta convite da Câmara a Bjørn Lomborg, destacando que legitimidade institucional pode contradizer consenso científico.

Cientista político dinamarquês defende que metas do Acordo de Paris são ineficientes - (crédito: Maria Moura/ Fundação João Pinheiro)
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  • A Frente Parlamentar Mista Ambientalista (FPMA) publicou, em 14/5, nota apresentando “preocupação formal” com o convite institucional da Câmara dos Deputados ao cientista político dinamarquês Björn Lomborg para palestra na conferência realizada no Auditório Nereu Ramos.
  • O evento ocorreu em 13/5 e teve o tema “Debates Estratégicos com Björn Lomborg: Fazendo Mais com Menos — Políticas Públicas de Alto Impacto”, organizado pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos (CEDES) da Câmara, em parceria com a Consultoria Legislativa.
  • A FPMA criticou a apresentação de Lomborg pela Câmara, destacando que ele é “referência no pensamento econômico” sem mencionar que é contestado por instituições científicas por defender políticas climáticas menos ambiciosas.
  • Lomborg afirmou que metas de emissões zero até 2050 podem custar cerca de US$ 27 trilhões ao ano para gerar apenas US$ 4,5 trilhões de benefício, segundo a visão defendida pelo evento.
  • A nota cita críticas históricas a Lomborg e diz que a Câmara e o CEDES não se manifestaram sobre a nota da FPMA até o fechamento desta reportagem.

A Frente Parlamentar Mista Ambientalista (FPMA) publicou nesta quinta-feira (14/5) uma nota manifestando preocupação formal com o convite da Câmara dos Deputados ao cientista político dinamarquês Björn Lomborg para a conferência realizada no Auditório Nereu Ramos, na última quarta-feira (13/5). O evento, intitulado Debates Estratégicos com Björn Lomborg: Fazendo Mais com Menos — Políticas Públicas de Alto Impacto, ocorreu dentro de uma série organizada pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos (CEDES) da Câmara, em parceria com a Consultoria Legislativa.

Segundo a FPMA, a Câmara teria apresentado Lomborg como uma das vozes mais influentes do mundo e referência no pensamento econômico, sem esclarecer que o pesquisador recebe críticas de instituições científicas por defender posições que desaconselham políticas climáticas ambiciosas. A nota afirma que a legitimidade institucional da Câmara não pode sustentar teses que contrariam o consenso científico consolidado sem contraditório técnico qualificado.

A conferência discutiu, entre outros pontos, como governos podem fazer mais com menos por meio de análises de custo-benefício. Lomborg questionou a eficácia de investimentos maciços em políticas climáticas e argumentou que metas de emissões zero até 2050 podem exigir cerca de US$ 27 trilhões por ano, gerando benefício estimado de US$ 4,5 trilhões.

Histórico científico de Lomborg

A FPMA relembra que Lomborg tem sido alvo de críticas públicas ao longo de sua trajetória. Em The Skeptical Environmentalist (2001), o pesquisador sustenta que preocupações ambientais seriam exageradas e que custos das políticas de proteção superariam os benefícios. Em False Alarm (2020), a obra é descrita pela frente como defendendo uma visão de aquecimento real, mas com metodologia que minimiza danos climáticos futuros e desconsidera impactos irreversíveis.

Publicações de referência também contestaram seus métodos. A Scientific American publicou, em 2002, um conjunto de ensaios analisando a alegada seletividade de dados usados por Lomborg. A Nature encaminhou críticas diretas à obra no mesmo ano, apontando falhas na representação das evidências. Em 2020, o Instituto Grantham, da London School of Economics, avaliou que os números centrais de False Alarm estavam desatualizados e mal interpretados.

Até o fechamento desta reportagem, a Câmara dos Deputados e o CEDES não haviam se manifestado adicionalmente sobre a nota da FPMA.

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