- Entre janeiro e março de 2026, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo registrou 910 denúncias de estupro na capital.
- Especialistas apontam três formas de violência contra mulheres na cidade: no trajeto até o transporte, dentro do transporte e em trajetos com espaços verde/escuros que facilitam abusos.
- Um espaço público pensado para as mulheres busca torná-las vistas e protegidas, com foco em acessibilidade e rotas de cuidado.
- O Plano Diretor e abordagens interseccionais são defendidos para reduzir desigualdades e incluir as mulheres de forma mais ampla no desenho urbano.
- O projeto de lei 187/2026 propõe reservar, em cada trem ou metrô, ao menos um vagão para uso exclusivo de mulheres.
Entre janeiro e março de 2026, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo registrou 910 denúncias de estupro na capital. Os números evidenciam o impacto da violência contra mulheres e a percepção de cidade não pensada para elas.
Paula Freire Santoro, pesquisadora do LabCidade, aponta três tipos de violência enfrentados pelas mulheres ao circular pela cidade: no trajeto até o transporte, no interior de veículos e em espaços abertos ou fechados. O assédio verbal e o constrangimento corporal são destacados.
O espaço público, segundo Santoro, precisa ser estruturado para que a mulher seja vista e protegida, com vias de circulação seguras e bem iluminadas. A discussão envolve ainda o papel da vegetação e do entorno na visibilidade de trajetos.
Uma cidade inclusiva
Paula Regina da Cruz Noia defende uma visão de cidade do cuidado, com espaços de convivência a cada 15 minutos e acessibilidade efetiva. O foco é facilitar deslocamentos de quem utiliza carrinhos de bebê ou precisa de apoio, reduzindo barreiras para grupos vulneráveis.
A relação entre mulheres, trabalho e cuidados envolve deslocamentos menores e uso de políticas como o bilhete único, que facilita várias viagens sem recompra. A mobilidade passa pela redução de obstáculos para o dia a dia.
Como criar uma cidade que inclua as mulheres?
O Plano Diretor é citado como ferramenta de planejamento, exigindo escuta ativa e participação pública para legitimar propostas. A ideia é evitar urbanismo generalista e buscar soluções com visão interseccional das relações de poder.
Santoro alerta para a necessidade de olhar para as múltiplas identidades femininas e evitar centramento em modelos que desconsiderem desigualdades. Noia amplifica a importância de redes de cuidado e de rotas seguras para pedestres.
Espaços reservados na mobilidade
O projeto de lei 187/2026 propõe reservar pelo menos um vagão por trem ou Metrô para uso exclusivo de mulheres no estado. A proposta é polêmica, com defesa de mudanças estruturais na cultura de uso do espaço público e na autonomia feminina.
As defensoras do projeto argumentam que a cidade precisa avançar na proteção e no pertencimento, enquanto críticas apontam que mudanças isoladas não substituem transformações sociais profundas. O debate permanece ativo.
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