- Daniel Vorcaro pagou R$ 61 milhões para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro, valor que supera em mais de dez vezes o caixa do Banco Master antes da liquidação pelo Banco Central.
- Na liquidação, o Master tinha em torno de R$ 4 milhões em caixa.
- Os repasses teriam sido realizados por meio da Entre Investimentos e Participações, com ativos transferidos ao Havengate Development Fund LP, no Texas, nos Estados Unidos.
- Em 8 de setembro de 2025, Flávio Bolsonaro enviou áudio cobrando parcelas atrasadas do patrocínio e sinalizou preocupação com o não pagamento.
- Flávio Bolsonaro afirmou que é fundamental a instauração da CPI do Banco Master e negou ter recebido vantagens ou uso de recursos públicos; o caso envolve financiamento privado para a produção cinematográfica.
O dinheiro utilizado por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro é estimado em US$ 10,6 milhões, equivalente a cerca de R$ 61 milhões na cotação da época. A operação ocorreu enquanto o Master ainda existia como instituição, mas foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, quando o caixa da instituição ficava em torno de R$ 4 milhões.
Segundo apuração, as transferências passaram pelo Entre Investimentos e Participações, controlada por Mineiro, que também comanda a IstoÉ. Os recursos teriam ido para o Havengate Development Fund LP, com atuação registrada no Texas, EUA. O envolvimento de Flávio Bolsonaro no financiamento é citado pela matéria do Intercept Brasil, que afirma ter documentos sobre as transações, não publicados pela reportagem até o momento.
Relacionamento e desdobramentos
O vínculo entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro teve início em dezembro de 2024, com a atuação de um intermediário relacionado ao Portal Leo Dias. O primeiro encontro ocorreu em Brasília, na casa de Vorcaro, em dezembro daquele ano.
Em novembro de 2025, o senador enviou mensagem a Vorcaro, referindo-se a Vorcaro como irmão e sinalizando apoio, enquanto a soma prometida de recursos permanecia pendente. No dia seguinte, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal na operação Compliance Zero.
Cobrança de parcelas e posição de Flávio
A Intercept Brasil reporta que houve cobrança de parcelas atrasadas relacionada ao filme, com Flávio defendendo a necessidade de uma CPI do Banco Master. O senador afirma que o patrocínio era privado, não envolvia verbas públicas nem a Lei Rouanet, e que não houve oferecimento de vantagens, encontros fora de agenda ou intermediação com o governo.
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