- A Anvisa decidiu manter parte das restrições aos produtos da Ypê, com a suspensão de fabricação, venda, distribuição e uso mantida.
- A recolhimento continua temporariamente até a aprovação de um plano estruturado de mitigação de riscos e rastreabilidade pela agência.
- A fábrica de Amparo, interior de São Paulo, foi apontada com falhas graves e sistêmicas em boas práticas de fabricação, levando a risco sanitário alto.
- Mais de 100 lotes apresentaram resultados microbiológicos insatisfatórios; a empresa trabalha para implementar 239 ações corretivas identificadas em inspeções anteriores.
- A decisão cita contaminação por Pseudomonas aeruginosa em diversos lotes em 2025 e afirma que critérios técnicos, não políticos, guiaram a avaliação.
A diretoria da Anvisa decidiu manter suspensa parte das restrições aos produtos da Ypê, após identificar falhas sanitárias graves e sistêmicas na fábrica de Amparo, interior de São Paulo. A medida impede fabricação, venda, distribuição e uso dos itens afetados. O recolhimento segue suspenso até aprovação de um plano de mitigação de riscos e rastreabilidade.
A decisão aponta que a empresa precisa implementar um conjunto de ações. Entre as irregularidades listadas estão falhas no controle de qualidade, ausência de validação de processos, monitoramento microbiológico deficiente, fragilidade na rastreabilidade de lotes e falhas em ações corretivas. A Anvisa afirma que mais de 100 lotes tinham resultados microbiológicos insatisfatórios.
A fábrica trabalha para incorporar 239 ações corretivas exigidas em inspeções realizadas em 2024 e 2025, conforme relato da agência durante o julgamento. O caso envolve lotes de detergentes lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes com numeração que termina em 1.
Histórico e risco sanitário
A Anvisa confirmou denúncias recebidas por meio do sistema Fala BR, apresentadas pela Unilever em 2025 e 2026. A inspeção realizada entre 27 e 30 de abril de 2026, em parceria com a Vigilância Sanitária de São Paulo e a prefeitura de Amparo, identificou falhas repetidas nas boas práticas de fabricação.
Segundo a diretora Daniela Marreco, trata-se de um cenário de falhas sistêmicas, configurando risco sanitário alto. A presença de bactérias foi discutida, com confirmação de Pseudomonas aeruginosa em diversos lotes no ano de 2025, destacando a resistência e o potencial de infecção.
A Anvisa ressaltou que a decisão não depende de confirmação absoluta de dano, mas do risco plausível à saúde pública. A proteção da população é o objetivo principal, conforme afirmou o diretor Thiago Campos durante a apresentação.
Reação da empresa e desdobramentos
A Ypê afirma que seus produtos são seguros e que coopera com as autoridades. A empresa informou que manterá a paralisação de parte da produção na fábrica de líquidos para acelerar as ações corretivas exigidas pela fiscalização.
O caso também ganhou contorno político nas redes, com acusações de perseguição ao governo federal. Diretores da Anvisa destacaram que a atuação é técnica e sanitária, voltada à melhoria da qualidade e da segurança da indústria nacional.
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