- A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou a Operação Bypass, desarticulando uma organização criminosa que invadia o sistema GETRAN do Detran-DF para fraudes e exclusão de multas.
- O grupo movia-se por meio de um “sistema de bypass” para simular interfaces do Detran e automatizar operações ilícitas, com rapidez muito superior à humana.
- Entre os golpes, estavam baixa de infrações, transferências de frotas sem autorização e regularizações de condutores, além de obtenção de financiamentos com documentos adulterados.
- Ao todo, cumpriram-se cinco mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão; houve bloqueio de contas, e apreensão de veículos de luxo e dispositivos eletrônicos.
- O inquérito aponta divisão entre núcleo técnico, articuladores e operadores financeiros; o Detran-DF colabora fornecendo registros e informações para identificar padrões de invasão e origem das conexões.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), deflagrou nesta sexta-feira a Operação Bypass. A ação mira uma organização criminosa que invadiu o sistema GETRAN, plataforma de gestão do Detran-DF, para fraudes envolvendo exclusão de multas e transferências ilegais de frotas, com prejuízo estimado em dezenas de milhões de reais. As investigações começaram há cerca de quatro meses após denúncias de transferências de veículos sem o consentimento dos proprietários.
Segundo a apuração, o grupo utilizava um aplicativo interno, conhecido como sistema de bypass, para contornar o domínio oficial da autarquia. A ferramenta permitia simular interfaces do Detran, automatizando operações ilícitas com velocidade muito superior à humana. Com o acesso não autorizado, ocorria a baixa de infrações, emplacamentos fraudulentos, regularizações indevidas de condutores e até financiamentos bancários com documentos adulterados.
O Detran-DF colaborou com o inquérito, fornecendo registros e identificando padrões de invasão. A organização era estruturada em núcleo técnico, articuladores que captavam clientes e operadores financeiros que ocultavam os lucros, por meio de lavagem de dinheiro. Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão no DF; houve bloqueio de contas e apreensão de veículos de luxo e dispositivos eletrônicos.
Operação Bypass e desdobramentos
Os investigados devem responder por invasão de dispositivo informático, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As primeiras medidas de afastamento de ativos visam impedir a continuidade das fraudes. O inquérito continua para identificar outros envolvidos e mapear o montante total do dano ao erário.
O Detran-DF informou que atua em conjunto com a PCDF, fornecendo informações técnicas e registros de acesso que ajudaram a identificar os padrões de invasão. O diretor-geral, Marcu Bellini, ressaltou a importância da cooperação institucional e afirmou que o órgão mantém total apoio às investigações e reforço da segurança cibernética.
O comunicado oficial do Detran-DF também destaca medidas já em curso para ampliar a governança de TIC, a proteção de dados e a infraestrutura crítica da administração pública. Entre as ações estão criptografia de bancos de dados, autenticação multifator e modernização do sistema Getran, com foco em rastreabilidade, monitoramento e disponibilidade dos serviços.
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