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Eduardo Bolsonaro admite assinar como produtor-executivo de filme sobre o pai

Eduardo Bolsonaro admite ter assinado como produtor-executivo do filme sobre o pai; STF investiga repasses de emendas a ONGs ligadas à produtora

Ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro admite que assinou documento como produtor-executivo do filme sobre o pai — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
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  • Eduardo Bolsonaro admitiu ter assinado um documento como produtor-executivo do filme sobre o pai, com poderes sobre orçamento, gestão financeira e financiamento.
  • O contrato, revelado pelo Intercept Brasil, aponta a Go Up como produtora e o envolve ao lado do deputado Mario Frias, com atuação na busca de recursos e incentivos.
  • Em fevereiro de 2024 houve uma minuta de aditivo para a produção, em que Eduardo seria financiador; não há confirmação de assinatura. Em março de 2025, mensagens sugerem negociação de repasses entre Eduardo e investidores nos EUA.
  • Eduardo afirma ter transferido 350 mil reais para os Estados Unidos (cerca de 50 mil dólares) para manter o diretor de Hollywood, depois afirmou ter recebido de volta o dinheiro, sem passagem pelo fundo.
  • A Polícia Federal investiga repasses de Vorcaro para financiar o filme; o STF abriu apuração preliminar sobre emendas destinadas a ONGs ligadas à produtora. Em 2024, Mario Frias destinou ao menos 2 milhões de reais a uma ONG ligada ao projeto.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro reconheceu ter assinado um documento como produtor-executivo do filme sobre o pai, Jair Bolsonaro. O contrato, revelado pelo Intercept Brasil, dá a Eduardo poderes sobre gestão financeira do projeto. O documento é de novembro de 2023, com assinatura dele em janeiro de 2024.

O acordo aponta a Go Up, empresa com sede nos EUA, como produtora do filme, que inicialmente recebia o codinome O Capitão do Povo. Eduardo figura ao lado do deputado Mario Frias, do PL, com atribuições sobre orçamento, finanças e estratégias de financiamento.

O Intercept aponta ainda uma minuta de aditivo de fevereiro de 2024 que descreve Eduardo como financiador, autorizando uso de recursos por ele investidos. Não há confirmação de que esse aditivo tenha sido de fato assinado.

Relatos de conversas em março de 2025 mostram Eduardo discutindo financiamento com Thiago Miranda, que intermediou contatos entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. A reportagem indica que Flávio Bolsonaro teria cobrado repasses para a produção, além do envio de recursos para um fundo nos EUA administrado pelo advogado de Eduardo.

Na rede social, Eduardo, que reside nos Estados Unidos, afirmou que não ocupou posição de gestão no fundo e que apenas cedeu direitos de imagem. Contudo, após a divulgação do contrato, ele afirmou ter assinado como produtor-executivo para assegurar a continuidade do trabalho do diretor de Hollywood, em busca de investidores.

O ex-deputado disse ter obtido de volta parte do investimento inicial, cerca de US$ 50 mil, ao retornar o dinheiro pela relação contratual com a produtora. Ele descreveu o financiamento como um esforço para manter o diretor contratado, com possibilidade de novos aportes.

Em resposta, o deputado Mario Frias afirmou, por meio de nota, que Eduardo nunca foi produtor-executivo da produção do filme Dark Horse e não recebeu qualquer recurso do fundo de investimento envolvido no projeto.

A Polícia Federal instaurará investigação para apurar os repasses de Vorcaro destinados ao filme e se houve uso desses recursos para financiar despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA.

No âmbito jurídico, o ministro Flávio Dino, do STF, abriu investigação preliminar sobre repasses de emendas para ONGs ligadas à produtora do filme de Jair Bolsonaro. Em 2024, Mario Frias destinou emendas que somam 2 milhões de reais à ONG Instituto Conhecer Brasil, ligada à produtora do filme e associada à Go Up. O STF tenta intimar Frias para esclarecer o destino dessas emendas.

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