- A Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Refino, com o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) como alvo, apontando que ele criou um ambiente propício aos desvios fiscais da Refit.
- A PF afirma que Castro articulou um refinanciamento voltado aos interesses da Refit, com potencial de reduzir em até 95% a dívida da empresa com o Estado.
- O Grupo Refit, controlado por Ricardo Magro e considerado o maior sonegador do País, é alvo da operação; Magro está foragido e a Interpol foi acionada.
- A investigação aponta uma lei complementar, publicada em outubro de 2025, apelidada de “Lei Ricardo Magro”, criada sob a coordenação de Castro para beneficiar a Refit.
- Também há registro de viagem de Castro a Nova York em maio de 2025 patrocinada pela Refit, com participações em agendas oficiais e reuniões com autoridades americanas.
Cláudio Castro é alvo da Operação Sem Refino, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação aponta que o ex-governador do Rio de Janeiro teria atuado para criar um ambiente propício a fraudes fiscais bilionárias envolvendo o Grupo Refit, controlado por Ricardo Magro. Segundo a PF, o objetivo seria manter a Refit operando no setor de combustíveis, mesmo diante de dívidas tributárias.
A PF sustenta que o então governador articulou um refinanciamento de créditos tributários que poderia reduzir a dívida da empresa com o estado em até 95%. A apuração envolve suposta edição de uma lei complementar criada para favorecer o grupo, conhecida pela investigação como Lei Ricardo Magro.
Cláudio Castro foi alvo de busca e apreensão às 6h desta sexta-feira. A defesa do ex-governador afirmou que ele está à disposição da Justiça para prestar explicações e manteve a tese de sua lisura. A Refit não apresentou manifestação até o momento.
A operação envolve ainda a alegação de que o governo estadual atuou para preservar a atividade da Refit, considerada uma das maiores devedoras contumazes do país. A PF destacou que a medida incluiria apoio da Procuradoria-Geral do Estado para reverter a paralisação da empresa durante a recuperação fiscal do Rio de Janeiro.
Ricardo Magro é descrito pela PF como a mente por trás do esquema de sonegação de ICMS estimado em R$ 26 bilhões. O empresário está foragido e figura entre os principais alvos da ação; ele foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol a pedido do STF.
A investigação aponta que uma viagem de Cláudio Castro a Nova York, em maio de 2025, patrocinada pela Refit, indica proximidade entre o grupo e o ex-governador. A PF registra que, durante a viagem, Castro participou de agendas com o empresário e com autoridades norte-americanas, além de reuniões com integrantes da DEA.
Entre os temas tratados na investigação estão encontros com autoridades dos EUA e diligências para classificar facções criminais do Rio como organizações narcoterroristas, segundo a PF. O órgão sustenta que, sob a direção de Castro, diferentes secretarias teriam direcionado esforços para favorecer o conglomerado.
A PF aponta ainda que a atuação envolveu a Secretaria de Fazenda, a Secretaria do Meio Ambiente, o Instituto Estadual do Ambiente, a Procuradoria-Geral do Estado e a Secretaria de Polícia Civil, entre outros órgãos do Executivo fluminense. A investigação continua para esclarecer vínculos, evidências e eventuais impactos fiscais.
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