- Steven Pinker participou de um painel na São Paulo Innovation Week ao lado de Marcelo Gleiser, defendendo que a razão é antídoto contra o autoritarismo e destacando os riscos da desinformação nas redes.
- O pesquisador disse que não há cenário catastrófico causado pela inteligência artificial, e que o progresso humano vem da aplicação da racionalidade para reduzir sofrimento e violência.
- Pinker reconheceu uma recessão democrática global nos últimos dez a quinze anos, citando exemplos como Estados Unidos, Índia, Hungria, Rússia e China, mas afirmou que a democracia continua melhor do que em décadas passadas.
- Sobre a China, afirmou que o país nunca foi uma democracia, mas que hoje é menos repressivo do que na era Mao, ainda que tenha ficado mais autoritário recentemente.
- Em relação à IA, adotou tom cautelosamente positivo, descartando cenários sombrios de dominação, e apontou que a IA pode criar nichos de trabalho, reduzir tarefas repetitivas e trazer ganhos em energia, moradia e saúde, com vantagens que, segundo ele, devem superar as desvantagens.
Steven Pinker participou de um painel na São Paulo Innovation Week, nesta sexta-feira 15/5, ao lado do físico Marcelo Gleiser. O tema foi o papel da razão diante da inteligência artificial e do cenário político atual. Pinker também falou sobre desinformação nas redes e o futuro da democracia, sem previsões catastróficas sobre IA.
O psicólogo e linguista canadense afirmou que a condição humana melhorou historicamente, mesmo diante da pandemia, guerras e crises econômicas. Segundo ele, medir bem-estar ao longo dos séculos revela ganhos em expectativa de vida, educação e nutrição. O argumento não representa otimismo desenfreado, enfatizou.
Democracia em recuo no cenário global
Pinker reconheceu sinais de recuo democrático nos últimos 10 a 15 anos em países como Estados Unidos, Índia, Hungria, Rússia e China. Ainda assim, afirmou que a democracia permanece superior ao desempenho de décadas anteriores, mantendo contrastes históricos.
Sobre a China, o palestrante observou que o país nunca foi uma democracia plena e que, apesar de o regime ter ficado mais autoritário, não se pode negar avanços em determinados aspectos de governança. Ele defendeu o Iluminismo como projeto contínuo, com instituições democráticas como base.
Conhecimento comum e comportamento de massas
O pesquisador discutiu o conceito de conhecimento comum, tema do livro recente, ao distinguir o conhecimento privado do que é compartilhado pela sociedade. Exemplos de comportamento irracional em massa foram citados para explicar correntes de boatos e pânico coletivo.
Ele citou a pandemia como caso de estudo: a percepção de escassez de itens básicos por boatos levou a compras emergenciais, gerando efeitos reais. Na mesma linha, citou crises financeiras passadas, destacando como expectativas de corrida a banco podem provocar falências.
Previsões sobre IA e mercado de trabalho
Questionado sobre a IA, Pinker foi cauteloso e afastou cenários de escravização ou dominação da humanidade pela tecnologia. Disse que tais hipóteses são improváveis. Contudo, reconheceu que haverá disrupções no emprego, com automação apresentando nichos de atuação ainda não previsíveis.
Entre efeitos positivos, ele citou a eliminação de tarefas perigosas e repetitivas, ganhos em gestão de energia, redução de custos habitacionais e avanços na saúde. Acredita que as vantagens da IA devem superar as desvantagens, ainda sem certezas.
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