- Desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago está afastada do TJ da Bahia desde 2024 e é ré por corrupção.
- Ela recebeu, ao longo de 24 meses de afastamento, R$ 1,3 milhão em salários, com média de cerca de R$ 54,3 mil por mês.
- A acusação envolve recebimento de propina pelo esquema de venda de sentenças, incluindo cheques, dinheiro vivo, um relógio Rolex e jantares em Salvador.
- A Procuradoria aponta empréstimos simulados de 480 mil para ocultar propina e pagamento de 275 mil em dinheiro para compra de uma casa; o relógio foi apreendido.
- A operação Faroeste investiga venda de sentenças ligadas à grilagem de terras no oeste baiano e já afastou seis magistrados na fase inicial.
A desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, do TJ Bahia, está afastada desde abril de 2024 por suspeita de venda de sentenças. Ela recebeu, desde o afastamento, 1,3 milhão de reais em salários, segundo levantamento da imprensa.
A mulher investigada integra a Operação Faroeste, que apura esquema de grilagem de terras na Bahia. Ela é ré por corrupção passiva após denúncia apresentada pelo STJ, com apuração da PGR.
Entre as acusações, a PGR aponta recebimento de propina por meio de cheques, depósitos, um relógio Rolex e jantares em Salvador, usados para sustentar o suposto esquema. A defesa nega as acusações.
A reportagem solicitou explicações ao TJBA sobre os pagamentos, que somam média de 54,3 mil reais mensais nos 24 meses de afastamento, sem retorno até o momento.
Em abril, quando passou a ré, a defesa afirmou que não houve comprovação de crime e destacou fatos novos trazidos pela PGR nas alegações finais. Os advogados reiteraram inocência.
No mesmo mês, o contracheque da desembargadora atingiu o maior valor desde o afastamento: 104 mil reais líquidos. Em 2026, os pagamentos chegam a 267 mil; em 2025, somam 664 mil.
Operação Faroeste: contexto e desdobramentos
A Faroeste é uma das maiores investigações de corrupção no Judiciário brasileiro, conduzida pela PF sob supervisão do STJ. A apuração envolve magistrados, advogados, empresários e lobistas ligados à venda de decisões.
A PF aponta que Adailton Maturino, falso cônsul da Guiné-Bissau, e a esposa dele teriam atuado junto à desembargadora. A PGR detalha ocultação de propina por meio de empréstimos simulados.
Relata ainda a investigação que parte do dinheiro foi usado para pagamento de uma casa, com uso de dinheiro vivo repassado pela família da magistrada. Um relógio avaliado em 120 mil reais também foi apreendido.
Segundo as alegações finais, Adailton mantinha acordo com um restaurante japonês de Salvador para registrar despesas de juízes próximos a ele na sua conta empresarial, com gasto estimado em 1,5 milhão de reais.
A defesa da desembargadora reforça o cumprimento das garantias constitucionais e sustenta que o julgamento deve ocorrer com imparcialidade técnica, sem presunção de culpa.
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