- Entre 2015 e 2026, 86% do valor das emendas parlamentares individuais foi destinado a municípios, enquanto estados ficaram com 13%.
- As dez cidades mais beneficiadas juntas receberam apenas 4,8% do total destinado aos municípios.
- O eleitorado é concentrado em municípios com mais de 200 mil eleitores (38,8% do total), mas as emendas rendem mais em cidades menores.
- Pesquisa aponta que em municípios com menos de 50 mil habitantes, as emendas geram ganhos de votos mais expressivos por deputado.
- Em em cidades grandes, as emendas tendem a se diluir no orçamento e na demanda urbana, exigindo rede política bem estruturada para converter recursos em reconhecimento eleitoral.
O debate sobre as eleições de outubro tem se concentrado na disputa presidencial, mas as emendas parlamentares ganham importância para a renovação da Câmara. O tema da semana é como as emendas podem influenciar a eleição de deputados em 2026.
Dados do Siop, levantamento feito por Joyce Luz e George Avelino Filho, do FGV Cepesp, mostram que emendas individuais têm destino majoritariamente municipal. Entre 2015 e 2026, 86% do valor anual é aplicado em cidades.
Estados ficam com apenas 13% dos recursos destinados pelas emendas. Parlamentares costumam priorizar localidades onde o impacto político é mais visível. Capitais não necessariamente concentram os recursos.
As dez cidades mais beneficiadas entre 2015 e 2026 somam 4,8% do total destinado aos municípios. Quase metade do montante é aplicado fora dos 500 maiores receptores.
O eleitorado, porém, está concentrado em grandes municípios. Há cerca de 60,5 milhões de votantes em 103 cidades com mais de 200 mil eleitores, ou 38,8% do total nacional. Ainda assim, as emendas rendem mais em locais menores.
A pesquisa de Isabella Montini e Alison Post aponta que municípios menores recebem mais projetos e recursos per capita. O retorno eleitoral nesses lugares tende a ser maior.
Em cidades com menos de 50 mil habitantes, deputados obtêm ganhos eleitorais positivos e significativos com as emendas. Em municípios maiores, o efeito é menor ou pode até ser negativo.
Em cidades grandes, o eleitor é exposto a mais obras, mais atores políticos e mais informações. A emenda pode se diluir no orçamento, na paisagem e na disputa por crédito.
Desenho estratégico dos parlamentares
Deputados com redes municipais bem estruturadas podem ter vantagem em outubro. Não basta ter acesso aos recursos; é preciso saber aplicá-los para transformar em reconhecimento político.
Ainda assim, a força das emendas não é imbatível. Pequenas cidades podem trazer retornos relevantes, mas respondem por parcela menor do eleitorado. A polarização maior pode influenciar também deputado federal.
Emendas ajudam a manter bases locais, mas não garantem reeleição. O cenário de 2026 aponta para a importância de estratégias locais aliadas a um alinhamento partidário claro e capacidade de mobilização.
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