- Post do Departamento de Estado dos EUA, durante a gestão de Donald Trump, citava a “substituição” e defendia a “remigração”, com quase dez milhões de visualizações.
- Em 13 de maio, a Casa Branca repetiu a mensagem, com mais de 3,7 milhões de visualizações, recebendo celebração da extrema-direita alemã.
- Políticos e contas da AfD replicaram a fala, com Alice Weidel chamando o desdobramento de “sucesso” e destacando a conversa como relevante.
- O contexto envolve o Pacto Global da Organização das Nações Unidas sobre migração, adotado em 2018, que afirma não criar direito à migração nem substituir políticas nacionais.
- A remigração já era tema presente entre a AfD e redes extremistas; a cooperação entre ultradireitas europeias e americanas ganhou impulso com as redes sociais.
O Departamento de Estado dos EUA publicou uma postagem que indica a adoção do termo “remigração”, usado pela ultradireita alemã, ligada à ideia de substituir populações. A mensagem, que também critica a ONU, chegou a quase 10 milhões de visualizações e provocou repercussão entre a AfD na Alemanha.
A publicação afirma que, sob o governo Trump, o foco seria priorizar a “remigração” em vez da expressão “migração de substituição”. Nas redes, a mensagem circulou rapidamente entre contas ligadas a grupos de extrema direita na Alemanha, ampliando a retórica anti-imigração.
Na Alemanha, a reação da AfD foi de celebração. Politicamente, o tom otimista veio de membros locais que destacaram a repercussão internacional do tema, associando-o a um suposto reconhecimento oficial por parte de Washington.
A repercussão se intensificou com a repetição da mensagem pela Casa Branca em 13 de maio, em uma nova publicação com milhões de visualizações. Grupos de direita passaram a exaltar o que classificam como reconhecimento de uma luta antiga.
A DW acompanhou as respostas de mais de 150 políticos e contas da AfD. O tweet norteou discussões entre líderes locais, que passaram a defender a ideia de que o termo havia ganhado legitimidade institucional.
No Telegram, a circulação de capturas de tela da declaração original ganhou espaço, com comentários de celebração entre adeptos da teoria conspiratória associada ao movimento QAnon. A ampliação ocorreu por canais alemães.
Entre as lideranças da AfD, Alice Weidel comentou em X que o ocorrido sinalizava um avanço da pauta defendida pelo partido, reconhecendo o termo e o debate como um marco político relevante para o grupo.
Explicações oficiais apontam que a postagem está ligada à discussão sobre o Pacto Global da ONU para Migração, realizado em Nova York entre 5 e 8 de maio. O pacto, adotado em 2018, é voluntário e não cria direito à migração.
Defensores do pacto sustentam que ele visa reduzir fatores de deslocamento, ampliar vias legais e combater o tráfico de pessoas, sem impor políticas migratórias nacionais. A leitura de que haveria substituição é contestada por autoridades da ONU.
A AfD já havia adotado a ideia de “remigração” no passado, em eventos e declarações, mesmo com controvérsias legais na Alemanha sobre a possibilidade de excluir cidadãos com histórico de migração. A liderança do partido tem sido associada a esse tema.
Especialistas em redes digitais destacam que a circulação transatlântica de narrativas extremistas se acelerou com a internet. O intercâmbio entre ativistas europeus e americanos estabelece um canal mais veloz para ideias controversas.
O engajamento entre a AfD e segmentos da extrema direita americana aponta para uma cooperação que vai além de eventos isolados, fortalecida pela presença de figuras do movimento em espaços de debate e conferências internacionais.
Essa articulação transnacional, segundo analistas, facilita a propagação de retóricas anti-imigração e de teorias conspiratórias, mostrando como linguagem e termos específicos podem ganhar projeção global.
Entre na conversa da comunidade